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June 01

Vida Zen!!!

Um mês depois de ter terminado o meu Caminho a Santiago de Compostela, relembro que escondido num canto qualquer do meu subconsciente, existia uma idílica visão; nela via-me a fazer uma longa viagem.
Nessa viagem admirava o gado a pastar numa colina e atravessava campos cultivados de milho e trigo; percorria as montanhas e vales, e passava pelas grandes cidades e pequenas aldeias.

Na minha mente, antes de mais nada, estava marcado aquilo que eu chamava de destino!
Num determinado dia, numa determinada hora, eu tinha a certeza que iria completar esta viagem.
Maravilhosos sonhos então se tornariam finalmente em realidade, e várias peças da minha vida encaixaram-se-iam como as de um puzzle. Enquanto isso, andei de de um lado para o outro por esses caminhos, sofrendo e gozando as distâncias que tanto e pouco custaram a percorrer.

Muitas vezes dizia para mim:
"Quando eu chegar aquele sítio é que vai ser."
"Quando eu terminar a viagem."
"Quando eu alcan;ar o objectivo."
"Quando eu superar os meus limites."
"Quando eu alcan;ar a meta final, viverei feliz para sempre..."

Cheguei finalmente à conclusão de que o fim da viagem não existe; pois não existe um lugar em que se chega definitivamente! A verdadeira alegria consiste na própria viagem e a chegada é um sonho que constantemente se afasta de mim.

Aproveitar o momento que passa é um bom lema, especialmente quando junto tudo de bom que já viví.

Portanto, decidi que é bem melhor parar de andar apenas de um lado pra o outro pelos corredores da vida. Em vez disso, começei a andar mais de bicicleta, pasei a voar mais alto nas montanhas, passei a comer mais gelados, agora ando mais vezes pelos bosques, passei a nadar em mais rios, admiro mais a natureaza e acima de tudo rio mais frequentemente. Vivo a vida à medida que ela passa, pois quero convencer-me que a minha busca pela viagem jamais terá um fim...
May 11

Hola amigos.

Gostava de compartilhar com quem quiser a seguinte mensagem que recebi:
 
De: Acacio da Paz <acaciopaz@yahoo.com.br>
 
Queridos amigos peregrinos.
 
Uma Peregrinaçáo pelos caminhos !!! …
 
Sempre se vai a !!! … mais nunca se chega a !!! …
Para nós, a peregrinação a Santiago é uma forma de nomadismo, de expressar que a sociedade, a vida como um todo é transitória, de buscar valores do Passado onde fincar raízes e que revelem um novo sentido para o viver humano. É interessante que dos ditames mecanicistas da sociedade ocidental se possa engendrar o seu oposto: o nômade busca suas raízes, descartando uma forma de vida despersonalizada e de aparências, desapegando-se do status rotineiro por perceber que tudo é transitório e impermanente. É nesse instante que reside a possibilidade do encontro consigo mesmo e com o outro, irmanados na mesma esperança e na certeza de que há um fio condutor no processo de perceber, se tornar e expandir a Luz.
Ao perceber o essencial e viver de acordo com a simplicidade, o peregrino abre mão do consumismo compulsivo, limitando sim as possibilidades de consumir. Mas, ao contrário do rito urbano, a vida no Caminho, mais distante do comodismo e dos habituais condicionamentos rotineiros, propicia a abertura para viver o desconhecido e maravilhar-se a cada surpresa. O contato com as gentes dos “pueblos” ensina que a tecnologia pode conviver com a natureza e que a felicidade reside na beleza das coisas simples da vida. Assumir esse tipo de vida, por mais difícil que seja num entorno urbano, pode ser uma opção consciente que o peregrino fará quando retornar para seu lugar de origem, contrariando a forma de viver automática da civilização global. O desapego do supérfluo e da super- estimulação não significa desvalorizar a vida. Ao contrário, os “valores do Passado” não passaram, mas a sociedade capitalista pouco a pouco vai colocando neles a etiqueta “antiquados”. Na verdade, esses valores são perenes porque fundamentam a condição para a sobrevivência da humanidade no Passado e no Presente.
A peregrinação em si pode ter uma função catártica, como um rito ecológico, mas muitos peregrinos têm como característica comum exatamente a de ser peregrino, ou seja, não estão afiliados formalmente, a nenhum grupo particular – e se estão, ali não são representantes do grupo. O alívio da tensão da vida moderna pode ser conquistada, caminhando-se longas distâncias, mas a riqueza das aprendizagens no Caminho surpreende ao peregrino que se lança no desconhecido sem saber, muitas vezes, qual é o motivo ou o impulso que lhe leva adiante, muito menos o que irá passar ou o que encontrará ao ultrapassar a linha do horizonte dando a Santiago como no Caminho do Sol ; da Fé ; das Missóes , em qualquer caminho.
 
A CHEGADA:
De fato, a chegada à Catedral de Santiago é um misto de alegria, tristeza e angústia. Alegria basicamente pela meta alcançada – sobreviver ao esforço e chegar. Tristeza ao se despedir dos companheiros de caminhada e da vida itinerante. Angústia diante da dúvida: terei que me adaptar ao sistema da mesma forma que antes?
Serei capaz de reelaborar as novas experiências e dar-lhes uma significação na vida diária?
Serei capaz de enterrar o passado e renascer verdadeiramente para uma vida nova? 
 
A celebração, além da rodada de vinho com os companheiros e outros atos profanos, também envolve rituais sagrados. Através da passagem pela Porta Santa (perdão dos pecados), da missa do peregrino (ressurreição), dos croques na cabeça do Maestro Mateu no Pórtico da Glória (sabedoria), da visita ao sepulcro (mistério da morte), do abraço ao Apóstolo (identificação com o divino, através do coração compassivo), e do “Bota fumeiro” (Ação de Graças e Louvor), a angústia pode ser descarregada e a peregrinação, efetivada. Para alguns, a caminhada até o Fim do Mundo, à Costa da Morte, onde se queimam as roupas da peregrinação e se vestem roupas brancas, pode significar (o fim de uma vida e a entrada na vida nova).
A CHEGADA em outros caminhos pode-se dizer a mesma coisa do que em Santiago. As experiências sáo as mesmas de maneira diferentes. As conquistas e etapas percorridas marcam a renovaçáo e o reconhecimento de quem realmente somos e o que estamos fazendo aquí. Chegar náo é mais importante depois de peregrinar. O que vale é peregrinar, caminhar, andar, estar consigo mesmo reconhecendo-se a cada dia ,cada vez melhor para que o amanhá possa ser melhor que o hoje em busca de uma Paz e uniáo de todos.
Acacio da Paz ( peregrino del camino )
 
Refúgio Acacio & Orietta - Vilória de Rioja
Um lugar de responsabilidade social..e voce... ?
www.caminhodosol.org
www.caminhodesantiago.com
www.caminhodesantiago.org.br
www.setas-amarelas.com
May 10

Uma bicicleta, umas mochilas e nada mais.

Eu nunca tinha imaginado que ao afastar-me de tal forma da vida rotineira me pudesse fazer entender o mundo de uma forma diferente!  É engraçado que depois de uma viagem despojada como esta começamos a ver, angustiados, a quantidadede pessoas que nunca param para recarregar as baterias, levando vidas atribuladas e vazias de conteúdo.

Como tudo começou para mim? É difícil precisar, mas posso dizer que de repente ficou absolutamente claro, e não me perguntem como, que eu deveria, preparar-me para percorrer uma rota medieval que cruza todo o norte da Espanha desde a sua fronteira com a França até chegar à cidade de Santiago de Compostela.

A partir de determinada altura esta ideia tomou conta dos meus dias e também das minhas noites, levando-me a ler tudo o que encontrei escrito sobre o Caminho de Santiago, e a contar as horas até ao instante em que eu daria meu primeiro e inseguro passo em direção d Santiago.

Uma vez no Caminho, aprendi como é difícil gerir o corpo e a cabeça quando se percorre mais de 850 quilómetros. Dormi em Albergues pouco confortáveis, comi o que encontrava à venda e entreguei-me de corpo e alma aquela vida totalmente despojada. Foi enriquecedor conviver com gente do mundo inteiro e de todas as idades, desde uma criança de 3 anos até um velhote de 87. Tive o privilégio de fazer vários caminhos dentro do mesmo Caminho! Fiz um caminho de desafio e aventura, do conhecimentos histórico e fiz, sobretudo, o caminho para uma vida renovada.

Desde que regressei que os meus afazeres diários mudaram radicalmente. Hoje só sinto vontade de colocar a minha energia naquilo que de facto me interessa. Como li algures uma frase de alguem que percorreu um Caminho semelhante e indentifico-me com as seguintes palavras: "Descobri que havia passado a maior parte da vida buscando o ter. Pior, muitas vezes nem percebia que estava fazendo um esforço tremendo para parecer ter, não era nem para ter. No Caminho de Santiago, descobri o que realmente significa ser, simplesmente ser".

Seja lá o que eu possa ter ido buscar (e duvido alguma vez vir a perceber a razão), a verdade é que realmente encontrei, pois até agora, e creio que por toda a minha vida, o Caminho continuará a mostrar-me as  escolhas acertadas e a guiar-me na direção de me tornar alguém mais tolerante e feliz. Vou compreendendo, um pouco a cada dia, a natureza generosa de tudo aquilo que pude receber do Caminho de Santiago.

 

Paulo Reis

May 04

Album de fotografias Caminho Francês a Santiago de Compostela

Devido à impossibilidade e ao limite reduzido de espaço existente neste Blog para colocar as fotografias que tirei ao longo do Caminho. Criei um outro local onde colocarei as minhas fotos legendadas e convido todos aqueles que quiserem, a visitarem o seguinte os endereços dos diferentes albuns referentes a cada etapa realizada:

 

Album referente ao Dia 0

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia0

 

Album referente ao Dia 1

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia1

 

Album referente ao Dia 2

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia2

 

Album referente ao Dia 3

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia3

 

Album referente ao Dia 4

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia4

 

Album referente ao Dia 5

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia5

 

Album referente ao Dia 6

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia6

 

Album referente ao Dia 7

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia7

 

Album referente ao Dia 8

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia8

 

Album referente ao Dia 9

http://picasaweb.google.com/Paulor100/CaminhoDeSantiago2006Dia9

 

Sao cerca de 600 fotos comentadas com muito prazer! Infelizmente o site é Inglês, logo nao coloquei acentos nem cedilhas pois apareceriam distorcidas... Espero que gostem tanto como eu gostei de o fazer...

 

Beijos e abraços,

 

Paulo Reis

Peregrino del Camino

Recebi esta mensagem no meu e-mail alguns dias depois de regressar do Caminho de Santiago. Não conheço a pessoa mas ele quis compartilhar comigo e com muitos outros peregrinos as seguintes palavras:

---------- Forwarded message ----------
From: Acacio da Paz <acaciopaz@yahoo.com.br>
Date: 04/05/2006 10:41
Subject: PEREGRINOS DEL CAMINO
To: contato@awake.com.br, cg_inno@hotmail.com, carmenjoya@hotmail.com , lena_olaso@yahoo.com.br, william_antonioli@albint.com, danielclcosta@ig.com.br , antonio_timoteo@yahoo.com.br, pcordeirosantos@uol.com.br, homerorui@uol.com.br, beldigiovanny@ig.com.br, yonga@terra.com.br, fbarqueta@hotmail.com, carloseduardo@lippelengenharia.com.br, paulotarso12@hotmail.com, lucianodinatale2000@yahoo.com.br, pacharelo@hotmail.com, wfirpo@gmail.com, vieira.giuliano@gmail.com, nilsonmenezes@terra.com.br , alesouza_bsb@hotmail.com, joao.tobias@deten.com.br, dr.adaof@uolcom.br, marviane@ig.com.br, mazocardoso@terra.com.br, jefferbedram@bol.com.br
Cc: asantos_afs@hotmail.com , tereof@bol.com.br, tiolico05@yahoo.com.br, luizroberto@corcovado.com.br, cb_domingues@hotmail.com, libakarnopp@yahoo.com.br, jotamelo@bol.com.br, irenefagundes@gmail.com , veiolobo@yahoo.com, bralha@globo.com, nau4@terra.com.br, marcelomigotto@yahoo.com.br, emirhickmann@gmail.com, renato_prado@hotmail.com, tvpassos@inter-via.com , vilma.reis@jfpe.gov.br, luzamorosa.bea@gmail.com, manoel.filgueira@uol.com.br , salomonstf@yahoo.com.br, ytakata@ig.com.br, eleazarl@brturbo.com.br, isabel.faria@ijm.pt, war_ley@hotmail.com, analucia.santanna@yahoo.com.br, jcbarbosamail@hotmail.com , vinavale@hotmail.com, mdonato.@tce.sp.gov.br, jarimbau@gmail.com, emidiocardoso@hotmail.com, jhonnyc@greco.com.br, gildosrios@bol.com.br, magda_vgb@yahoo.com.br , alexandrecalmon@yahoo.com, celsoluiz_costa@hotmail.com, thali1960@hotmail.com , jrdl@uol.com.br, evaldogabriel@yahoo.com.br, elian@hotmail.com, ninar2@ig.com.br, jobat27841@yahoo.com.br, paulor100@gmail.com

 
Queridos amigos peregrinos.
Acompanho a listas dos que estão embarcando, dos que sonham em vir, e dos que esperam o dia para embarcar. Muitos buscam vir em grupos, buscam companhia e a maioria informações.
 
O que dizer? Pensei bastante antes de escrever alguma coisa a vocês peregrinos amigos. Alguns já me conhecem e outros não. Invadir assim seus e-mail e dizer alguma palavra amiga para facilitar seus caminhos é uma intromissão de minha parte e por isso peço desculpa a todos antes mesmo de começarem a ler o que busco transmitir a todos vocês.
Aos amigos Portugueses que escrevem, venham tranquilos aqui é um outro lugar somente estando aqui poderam perceber de perto a magia secreta do caminho de Santiago.
 
Falar de que cada sonho pode ser uma realidade e que nada é uma utopia. Basta pensar em querer chegar até aqui que existe alguma força que os permite chegar. Saber de que o caminho de Santiago é algo tão misterioso que não existe uma explicação. O Caminho começa desde o primeiro instante que cada um decide caminhar. Não existe Kilometros e nem distancia para caminhar. O Início e o Fim são metáforas. São tantas coisas que nos levam a crer IMPOSSÍVEL. Mas afirmo de que nada é tão impossível assim. Aos que buscam grupos, relaxem e venha aqui ninguém caminha sozinho. Os que sonham, orem e peçam que à hora de cada um como um milagre chegará a seu momento. Os que esperam descansem e agradeçam desde já a chamada que cada um escutou.
Somos todos peregrinos e merecemos estar aqui. Mas, paciência para a hora de cada um. Pode ser que para um de vocês demore bastante e para outros sejam assim de repente. Assim é o caminho o antes o durante e o depois.
Obrigado a vocês por compartirem este tempo comigo.
 
O Caminho para 2006
Acacio da Paz
 
 
O que comparto é o que ainda estou concluindo sobre este misterioso caminho. Depois de algum tempo buscando respostas a algumas perguntas de peregrin@s que por aqui passam.  Mesas compartidas durante horas madrugadas; copas de vinho la Rioja; chorizos e rujos. Despedidas; saudades; sorrisos e lágrimas, histórias de quem faz o caminho existir: O PEREGRIN@. Escrevo testemunhos e coloco no ar ao universo estrelar; ao caminho virtual; ao mundo peregrino; a todos os peregrinos que já fizeram; aos que ainda vão chegar; e para aqueles que comparti este lindo caminho.
Gracias a todos vocês!
Espero vocês para continuar esta conversa no nosso Refúgio em Vilória de Rioja.
 
 
 "O conceito de peregrinação é utilizado em todas as culturas de forma alegórica para expressar a semelhança entre a viagem física do indivíduo para venerar um lugar sagrado e a viagem espiritual que este deve seguir em sua vida. A alegoria é uma forma de comunicação simbólica, na qual um feito real, um recurso visual ou escrito é somente aparente e contém outro significado de caráter distinto e oculto, às vezes compreensível somente por um grupo reduzido de pessoas."
O Caminho de Santiago é um simbolismo do caminho interno que os homens devem recorrer para despertar a consciência dormida através do caminho iniciático pela natureza, que conduz os seres humanos através da espiritualidade; formando uma vivência junto a ela, a conseguir nossa auto-realizaçáo.

O Caminho de Santiago une os dois extremos nas almas. Assim podemos considerar que o Caminho de Santiago é uma forma de íntima entrega.

A energia telúrica que existe no Caminho permite o encontro com a nossa alma proporcionando o encontro com o físico e o espírito, mediante o aprofundamento e proteção do exterior, com recolhimento interior de sua alma (mostrando a mente nossa missão com a nossa alma).

Quem não é correto de alma não encontrará o caminho. Caminhar pelos portais da iniciação; entrando em uma a uma das 7 ou 8 portas do caminho, abrindo-as, descobrindo-as no que ficou atrás e o que está a frente das sendas estrelares, permitirá você ter um melhor contato com sua própria essência , com seu próprio EU.
Frases de alguns testemunhos:

Muitas coisas podem mudar no seu caminho; o sonho Não, os amigos Nunca. Caminhe para reencontrar seus amigos, "unidos pelo caminho jamais separados".

- Caminhe com seu novo amigo VOCE MESMO.

- Todos somos caminhantes, sabedores que o caminho mais sublime é o que reside dentro de nós.

- O sentir se traduziu em expressão racional. Assim caminhamos sentindo novas sensações e emoções nos encontros.
Ative os sentidos.
 
"...quantos caminhos um homem deve andar p/ que seja aceite como homem". Vivo me perdendo tentando acertar, acho que essa longa caminhada seria um grande encontro comigo mesma"
 
Sei que nos encontramos no passado distante e o nosso destino é o aprender e aprender, com o auxílio daqueles que está circunstancialmente ao nosso redor.
Seu coração é seu guia e a fé te conduzirá
 
Quando eu Acácio repito o caminho, me esqueço da minha experiência antiga, por quê? O caminho é o encontro diário do perdão dentro de meu coração. Em cada curva encontro um amig@, em cada árvore a lembrança de que este amig@ estará novamente aqui. Em cada fonte a sede é saceada e este amig@ continuará aqui me esperando mais uma vez em mais um Caminho. Reencontros e mais um Adeus. Mais um regalo de Deus. Aproveitem seus amigos del camino.

O Caminho é purificação; fica difícil passar por ele sem ser peregrino.

Não esqueçam de ser peregrino e de não ter vergonha de sê-lo.
Quando comparto as perguntas e respostas sobre o que levar, como se preparar etc., pergunto-me? É necessário preparar-se para tanto? Escute com atenção a todas as dicas de todos, mas sinta dentro de você o que seu coração quer dizer.
O peregrino passa por diversas transformações anímicas pelo fato de sua alma, afinada pela receptividade, oração e meditação ao caminhar, passando por lugares de energias... Esta energia existe em toda parte onde encontramos: calor- vida - luz e som.

Contudo observamos ¡¡¡???...

Quando vamos ao caminho somente para VISITAR amigos esta energia sentida é diferente de quando estamos nele durante o tempo da peregrinação. É uma sensação estranha estar no caminho por alguns dias e depois voltar para onde estamos. Fica algo perdido no ar, a sensação de ter entrado em um lugar que não tínhamos que sair mais. A preparação é importante quando temos que interagir dentro deste Caminho Sagrado. A essência dos mistérios torna-se exotérica, no bom sentido da palavra; tudo o que até então vivia no íntimo é agora edificado. Ter a consciência dele é onde esquecemos e não providenciamos esta preparação.
 
 
Os Albergues:
Muitos mais albergues nestes 2006 pelo caminho. Muitas flechas amarelas indicando o caminho a percorrer. Muitas normas, guias, peregrinos (?). O que deve ser feito e como deve ser. Sugerências para melhorar na visão de cada um. As portas estão abertas para todos; La puerta se abre a todos, enfermos y sanos. No sólo a católicos, sino también a paganos, judios, herejes, ociosos y vanos. Y, por dicirlo brevemente, a buenos y profanos.

Críticas construtivas, novas normas, por quês? Assim é o caminho e assim sempre será.

O espírito Jacobeo deve continuar e deve ser para aqueles que buscam as respostas deste solo sagrado, escutando o chamado e caminhando onde temos que ir; mais certamente nunca vai ter um lugar para chegar e nunca será possível ter a verdadeira VERDADE deste Caminho.
 
Na Galícia:
Onde existe a atuação da supernatureza. Neste caminho o peregrino se expõe a espiritualidade da natureza, perceptível tanto antes como hoje: você pode presenciar os gnomos nas montanhas, as salamandras no calor tórrido nas sendas del camino, e as ondinas na umidade da Galícia (no sentido simbólico).

Contemple o que você encontrar…reverencie o que a natureza te oferece. Pare e fique reproduzindo a sua própria vivência astral por estes caminhos a fim de alcançar a certa calma, vivenciando a transformação dos motivos por estar aqui.
Finisterre:

O fim do mundo físico. Depois de ter percorrido o caminho das forças planetárias, o peregrino é conduzido ao Grande Oceano, que ele vivencia anteriormente com o Mar entérico onde estão contidos o UNIVERSO, os Planetas e a Terra. É a 2º vivencia que passa o Peregrino ao chegar ao Oceano.

Chegar ao fim do mundo significa chegar ao fim do mundo conhecido.
Ter vivenciado o oceano de modo plenamente físico, depois de ter percorrido a espiritualidade da natureza, tendo por fim, na Galícia imergido na substância aquática das ondinas, vivenciando a transição do éter cósmico.

O que percebemos interiormente ao Peregrinar, em contemplação, de imagem em imagem e de imaginação
em imaginação. Vivenciar agora com a essência do espírito do mar abrindo-se em sua frente: o mar etéreo é o essencial confluído.
- Peregrinos do Brasil e de Portugal nestes 2006; Venham com tranqüilidade, devagar, sem peso, sem pressa... Peregrinar não é o mesmo do que caminhar.

Um super beijo para todos e para os que estão chegando em 2006. E aos que em 2007 sonham em estar aqui. Até breve amigos.

ULTREYA Y SUSEIA.
Gostaria de poder estar com todos vocês em seus caminhos. Mas saibam de que aqui é a casa de cada um de vocês. Se estiverem perdidos aqui tem um ombro amigo brasileiro.
Nosso telefone para o que fizer falta a todos vocês está a disposição: 0034 – 679.941.123 – Acacio & Orietta


Os símbolos não morrem jamais. É, todavia a necessidade humana de ser os mesmos, se continuam buscando espadas e Graals por muitos séculos até chegar onde temos que chegar…?¿
 
 
Bibliografia básica:
Ajuda indispensável de várias páginas da Internet
Manfred Schmidt-Brabant – Caminhos estelares
Autor: LÓPEZ CABALLERO, A.
Título: "Función Social del Rito en la Tribu Urbana"

Simbologias que estão no Caminho:
Espada
- símbolo de força e liberdade e da coragem viril.
Representa o poder da Luz frente as neblas.
Poder ao mesmo tempo do SOL – do ponto de vista do princípio masculino ativo e com referência aos raios solares que brilham como espadas. Por vezes era símbolo fálico.
Como instrumento cortante simboliza a decisão, a separação entre o bem e o mal e também a justiça.
No sentido esotérico, asocia-se aos signos de Ar, que é a Inteligência racional.

O as de Espadas é o espírito ao alento primogênito, a alma e sua qualidade de percepção mental, a depuração do impulso e da sensualidade.

O graal é o as de copas a tétrade de elementos, aportando água, e os fluídos vetais: que é o sangue, o vinho que simboliza os sentimentos, a alma intuitiva, conhecimentos fecundos.
Era acessível somente ao homem puro e conseqüentemente também símbolo dos mais altos graus de desenvolvimento espiritual, depois da provação de aventuras espirituais.

Um cavaleiro do templo são Dois: o que está vivo e o outro ser humano supra-sensível que continua atuando nele – o guardião do Graal.
 
Aos peregrinos que partem de Portugal, também há grupos organizados a partir de Braga, procurem no www.google.com, Grupo Jacobeus.
Acacio da Paz.
22-01-2006
Refúgio de Peregrinos & Centros de Estudos
Acacio & Orietta

Calle Bajera,31
09259 – Vilória de Rioja 
Burgos – España
(0034) 679.941.123 - 646.655.094

  
Refúgio Acacio & Orietta - Vilória de Rioja
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May 02

A rota das estrelas

De longe era apenas um vulto imperceptível, mas de perto distinguia-se a silhueta de três pequenas pedras deixadas de propósito sobre uma marca de quilometragem. Continham um papel velho e amarelado. Entre manchas de barro e humidade, uma débil caligrafia juvenil escrita com tinta azul dizia: “Enrico, buenos dias. Escutar, observar e abrir o coração aos sons. Assinado: Jean”.
Nunca saberemos se Enrico não viu a mensagem de seu amigo Jean ou se talvez, depois de lê-la, preferiu seguir o Caminho até Santiago e deixá-la ali, à intempérie, naquele marco perto de Frómista, com a confiança de que algum outro peregrino lesse e também essa sensível definição que seu amigo Jean havia feito sobre o Caminho de Santigo: Escutar. Observar. Abrir o coração para os sons.
Com essas palavras acabava de descrever a abismal diferença que separa a rota jacobeia a Compostela de qualquer outra marcha em qualquer caminho do globo. A hospitalidade, o desapego ao supérfluo, a comunhão do corpo com a natureza depois de vários dias de marcha, a tradição depositada por milhares e milhares de viajantes nos últimos 11 séculos em cada pedra, cada árvore, cada cruzamento da rota jacobeia fazem deste caminho a oeste, ao finis terrae, uma experiência única no mundo, que lembra a rota das estrelas, o reflexo sobre a Terra deste outro caminho celeste, a Via Láctea, que já foi utilizada pelos peregrinos na Idade Média para orientar seus passos até a tumba do apóstolo.
A peregrinação a Santiago é uma viagem de quase 800km ao interior de si mesmo, que cada pessoa realiza com a sua própria bagagem e objetivos. Há aqueles que a iniciam pelo prazer de caminhar; outros, por convicção religiosa, ou por interesse artístico e histórico a respeito de um trajeto pelo qual entraram na Península Ibérica as vanguardas estéticas e culturais do Ocidente; também é frequênte fazê-lo por uma promessa, ou por um pouquinho de todos esses motivos ao mesmo tempo. Mas o que quase ninguém que inicia o Caminho sabe é que esse momento desencadeia um processo de renovação interior que para esta pessoa haverá de mudar o conceito de muitas coisas.
Tem algum sentido uma peregrinação por uma rota medieval, na alvorada do século XXI? É evidente que o traçado histórico desapareceu em grande parte sob o asfalto das estradas ou pela expansão das lavouras. Onde antes havia bosques, lobos e bandidos, agora há zonas industriais e veículos a motor. E os peregrinos, que antes pediam esmolas, agora carregam no bolso um cartão de crédito. Mas a essência da via milenar permanece com a mesma intensidade, suspensa em cada bocado de névoa dos bosques navarros, em cada dobra das colinas riojanas, em cada horizonte interminável das planícies castellanoleonesas ou em cada sombra húmida das corredoiras galegas.
É certo que o Caminho está em mutação a passos agigantados. Uma nova era de ouro, depois de quase quatro séculos de decadência, é uma força que deve trazer renovação. Florecem novos negócios, como cogumelos no outono: placas de “Leva-se mochilas até o próximo albergue por 2€” ou outros que anunciam restaurantes, hotéis, padarias ou albergues privados, que ficam viradas para a trilha dos pedestres e não mais para a estrada, como acontecia antes, explicitando por onde é que agora chegam os clientes.
Talvez isso não seja um mal em si; talvez, como dizia um hospitaleiro brasileiro que passou cinco anos atendendo caminhantes, não seja mais do que a própria dinâmica do Caminho, que já foi e cresceu como via comercial na Idade Média, mas é certo que antes do ano Jacobeio de 1993 era difícil encontrar um telefone público, e agora há cybercafés nas aldeias mais remotas da Galícia.
Sem dúvida, quase 1200 anos depois que o primeiro peregrino chegou a Santiago, ainda sobram detalhes suficientes - os albergues que só pedem uma esmola, um hospitaleiro que desperta seus hóspedes com cantos gregorianos e os convida ao café-da-manhã, as bolhas nos pés, um momento compartilhados com gente desconhecida mas muito próxima - para fazer desta viagem interior uma experiência inigualável. Porque muito poucos são os que conseguem não se emocionar ao finalizar a pequena aventura de percorrer um pedaço da História sem nenhum motor que não suas próprias pernas e sem mais objetivos além daqueles que Jean enumerou a seu amigo Enrico: Escutar, observar e abrir o coração aos sons.
 
Nota: Este texto está nas páginas 8 e 9 do livro “El Camino de Santiago a Pie”, editado por El País/Aguilar.
Achei tão bonito que decidi colocar aqui. Estas palavras inspiraram-me e deram-me a certeza de que tomei uma óptima decisão ao escolher percorrer o Caminho de Santiago.
 

Poema do Caminho

Encontei este poema escrito em Castelhano algures em parte incerta, numa parede de uma casa ao longo do Caminho de Santiago. Aqui vai a minha tradução para Português:
 
 
Pó, lama, sol e chuva
é o Caminho de Santiago.
Milhares de peregrinos
e mais de um milhar de anos.
 
Peregrino? Quem te chama?
Que força oculta te atrai?
Não será o Caminho das estrelas.
Nem as grandes Catedrais.
 
Não é a chuva de Navarra,
nem o vinho dos riojanos
nem os mariscos galegos,
nem os campos castelhanos.
 
Peregrino? Quem te chama?
Que força oculta te atrai?
Não serão as gentes do Caminho.
Nem os costumes rurais.
 
Não é a história e a cultura,
nem o galo de La Calzada,
nem o palácio de Gaudí,
nem o Castelo de Ponferrada.
 
A todos vejo passar,
e é um prazer a todos ver,
mas a voz que a mim me chama
sinto-a muito mais fundo.
 
A força que a mim me empurra,
a força que a mim me atrai,
nem eu mesmo a sei explicar
!Só o lá de cima sabe! 

Autor: E.G.B.
April 30

Notas Finais

O Que é o Caminho?
Uma aventura de andar por um mundo desconhecido, enigmático e fantasioso, que a principio dá ansiedade, arrependimentos e frustrações. É uma caminhada à profunda emoção do homem e aos seus sonhose desejos. Um convite a seguir por entre nossos maiores receios e vivê-los tão profundamente, que eles deixarão de ser um problema, uma limitação, para se tornar um estimulo para ir em frente, absorvendo toda a energia que ele nos reserva.
O caminho de Santiago de Compostela é simples, verdadeiro e coloca-nos em frente aos nossos maiores desafios e medos.
Também nos dá a tristeza de quem não podemos ajudar e deixamos para trás.
A percorrer lugares estranhos e ter a coragem de correr riscos, lutar com o desconhecido e continuar pedalando ou caminhando durante o dia com sol estafante, ao frio da lua e nas trevas da noite.
O caminho faz-nos controlar as nossas emoções, salvo os dias em que estamos muito fracos para entender a razão, ficamos tristes, mas continuamos a seguir um rumo, uma trilha... o "Caminho das Estrelas".
Como lí estas palavras algures e não-me esqueço nunca delas: "Life is either a daring adventure or it is nothing". Assim é também o Caminho de Santiago...
Parti com um objectivo pessoal mas acabei por cumprir vários outros objectivos... Neste caminho percebi que não há metáfora melhor para a vida, do que a ideia de se ser peregrino!!! Não há mesmo...
"Viajar é a experiência de deixar de ser quem você se esforça para ser, e se transformar naquilo que você é." PAULO COELHO.



Dia 9 - Portomarin a Santiago de Compostela

Dia 9 - Portomarin a Santiago de Compostela
Distância -105Km
Tempo gasto 10h30m

Cheguei finalmente a Santiago demasiado cansado e decidi que não vou continuar até Finisterra! Pensei nisso, mas a dor num dos cacanhares nos ultimos 20 kms tirou-me essa ideia de vez. Cheguei a Santiago a coxear bastante e senti-me mal por voltar á "civilização". Penso que com descanso vou recuperar bem, pois para além do pé dorido e do traseiro muito amassado sinto-me bem! A etapa começou de noite ás 6.15h e foi de novo um sobe e desce constante durante 100 kms. A vontade quase que agonizante de chegar a Santiago fez-me esgotar todas forças que ainda me restavam.
Domingo em Santiago é sinónimo de invasão de excursões de portugas, algo nada bonito de se ver! Por outro lado não conseguia comunicar com esta gente depois de tudo o que passei nos últimos 9 dias! O barulho e a confusão das ruas fizeram-me ir visitar a Catedral á pressa cumprindo os rituais adequados, comer qualquer coisa, comprar o bilhete do autocarro para a viagem de regresso e vir-me deitar. Tenho de me habituar aos rituais da sociedade moderna, depois de ter andado numa viagem mágica! Estou bastante triste por tudo ter acabado desta maneira, mas o que vale é a viagem e não o final.

Informação adicional:

Saí de Portomarim de madruhsd. Esta cidade quase que é uma espécie de cartão postal. Logo na entrada existe uma escada que termina na Capilla de las Nieves. Esta cidade tem a particularidade de ter sido mudada de sítio em 1962 e um de seus maiores monumentos, a igreja de San Nicolas de Portomarín , saiu de seu lugar original e foi reconstruída num local mais alto. A praça onde ela se localiza é ampla e tem um monumento ao peregrino em pedra. Subi em seguida um bocado até chegar em Ventas de Narón. Depois, um sobe-e-desce terrível até Palas de Rei, que fica local baixo. Daí para a frente foi só contar os quilómetros até Arzúa, não sem antes passar numa cidadezinha muito simpática chamada Melide.
Em Arzúa faltavam somente cerca de 40 quilómetros para chegar a Santiago de Compostela. A sensação que tive por esta altura foi um misto de euforia, alegria e vontade de chegar. Qualquer que seja o motivo de se fazer uma viagem como essta, é inegavel a força que nos empurra pelo caminho adiante. Cheguei ao Monte do Gozo, que fica a quatro quilómetros de Santiago, com muito sol, o que permitiu uma boa visão da cidade. O monumento que existe no local é de gosto duvidoso para quem vivenciou nas últimas duas semanas toda uma estética romana, gótica e até renascentista. De qualquer maneira, o mundo segue em frente e esse monumento, daqui a alguns anos, também terá o seu valor histórico.
A chegada à catedral de Santiago foi emocionante, sentei-me no chão em frente á catedral com milhares de pessoas em volta e consegui abstrair-me da confusão e gozar de um momento pessoal. Tudo aquilo que se espera está lá. A imponência, a beleza, a onipresença de um símbolo religioso de grandeza suficiente para ser único e ao mesmo tempo absoluto naquilo que pretende.
A Catedral tem um quê de autêntica em relação ao tempo de sua existência. Ao contrário das belíssimas catedrais de Burgos e León, a catedral do apóstolo Santiago é acessível e os milhares de peregrinos que vão ao seu encontro podem tocar, ver e sentir que conseguiram terminar aquilo que começaram. Por dentro, a igreja é belíssima, e parece crescer a cada passo em direção ao altar, todo dourado, com um brilho intenso e com tantos detalhes que é inútil tentar enumerá-los. O botafumeiro pendurado por uma corda com um sistema de roldanas, é um espetáculo à parte, assim como a configuração dos tubos do órgão da igreja, que formam um desenho ilógico de cada ângulo que é observado. O botafumeiro é um equipamento que foi muito utilizado no passado distante para fazer a dispersão do incenso que era queimado na igreja para minimizar o mau odor proveniente dos peregrinos, que chegavam cansados e estropiados na igreja. A cripta do apóstolo fica abaixo do solo, é feita em prata e tem um ar solene e de respeito. Os peregrinos enchem as naves (a catedral tem três, a central enorme e outra duas laterais pequenas) e não se cansam de fotografar toda a maravilha que vêm. É a grande festa dos peregrinos.
O peregrino que chega até suas portas, com qualquer finalidade, sente-se diante de algo muito maior do que um simples edifício. As imagens de Santiago no topo da catedral dão as boas-vindas e a certeza de que a meta foi alcançada.Na casa do Deão foi colocado o último carimbo na credencial do peregrino, e recebi um tipo de diploma por ter completado a jornada, a chamada Compostela, onde o nome do peregrino é escrito em latim. É um troféu para a maioria dos peregrinos, que guardarão aquele documento como prova de um feito importante nas suas vidas, e realmente é. Andar ou pedalar por todo o norte da Espanha em busca desse papel é algo que não se pode ignorar.

Obrigado pelas mensagens de apoio e até mais!

Paulo Reis

April 29

Dia 8 - Vega de Valcarce a Portomarin

Dia 8 - Vega de Valcarce a Portomarin
Distância -83Km
Tempo gasto 8h30m

Quando menos esperamos o Caminho prega-nos mais belas surpresas. Foi o caso da fantástica subida e descida ao "Cebreiro" (1390m). Confesso que estava apreensivo pois muita gente me avisou que esta ia ser uma subida díficil ou quase impossível para bicicletas e que devia seguir pela estrada. Encarei a subida como mais uma de entre muitas que não são impossiveis, mas apenas mais morosas de transpor. Levei mais de duas horas a subir o monte, mas achei demasiado simples se bem que compreenda que se tivesse subido na hora de calor intenso iria as coisas seriam muito complicadas! Passei muito tempo a arrastar a bicicleta á mão "monte acima" e mesmo assim passei por muitos peregrinos a pé. A dada altura aproximo-me de um tipo alemão e começamos a falar sobre a dureza da subida e do caminho. Chegámos ambos á conclusão que estava a valer muito a pena percorrer estes 800 kms. O alemão era uma figura jovem,estranha, de 2 metros de altura e muito magro que caminhava a um ritmo muito lento. Disse-me que fazia tudo muito rápido na vida do dia-a-dia mas que encontrara aqui o seu ritmo ideal. Confessou-me que já lhe metia confusão quando o caminho cruzava as cidades maiores e que ao fim da primeira semana decidiu que ia caminhar, dormir e tomar banho ao ar livre sempre que podia. Assim tem feito, vindo de dois em dois dias a um albergue lavar a roupa. Só sei que conversando com ele durante duas horas, quando nos apercebemos tinhamos chegado ao topo de "O Cebreiro". Hoje lembrei-me de uma conversa com o Itabyra de ontém em que ele me dizia que neste caminho andam desde atletas, a pessoas muito debilitadas mentalmente, a pessoas alegres por estarem vivas, pessoas que ficam para sempre a deambular pelo caminho e mesmo pessoas que vem para morrer aqui! Uma coisa é certa nimguém saí daqui da mesma forma que chegou, alguns flipam da cabeça e ficam, mas a grande maioria "faz um reset" e tenta adaptar-se de novo á vida normal. Hoje vi uma pessoa ao longo do caminho com um ar terrível e com aspecto de ter alguma espécie de doença terminal e lembrei-me das palavras do Itabira da noite anterior.
O dia foi um autêntico "sobe e desce" numa zona montanhosa" com muita gente embicicleta de montanha por aqui a fazer pequenos trechos do caminho por diversão. Fui me juntando a alguns grupos, ajudei outros com furos e avarias com o material que transportava nas mochilas para emergências e assim foi passando o dia. Estou agora no Albergue Municipal de Portomarim que fica junto do Rio Lima. Queria continuar mais uns kms mas precisava urgentemente de passar as fotos para CD, pois o cartão de memória estava cheio com tantas fotos que tirei ao longo deste belo dia. Aparentemente só me faltam 92 kms para chegar a Santiago de Compostela e devo chegar amanhã se não houver precalços. Vou ter o dia todo para decidir se termino por ali a minha odisseia ou se sigo mais 100 kms até "ao fim do mundo" em Finistera. Quem faz 800kms também faz (talvez) mais 100 kms. Nunca nas minhas melhores espectativas pensei que poderia fazer o percurso em apenas 9 dias. A ver vamos como me sinto amanhã, pois para já estou "forte como um touro" e sinto-me em grande forma apesar dos dois ou três percursos de maratona diários...

Informação adicional:
Subida ao temível El Cebreiro, o alto de uma montanha com 1390 metros de altitude e cuja subida é interminável e ainda existem muitas outras subidas até chegar a Sarriá (e uma descida incrível também). O desnível acumulado, ou seja, a soma de todas as subidas foi de 1.395 metros de altitude.
El Cebreiro é uma vila muito pequena, que parece saída das histórias de Astérix, o Gaulês, com casas feitas de pedra. Um dos pontos mais emblemáticos do Caminho, o lugar proporcionava assistência aos peregrinos e a sua história data de 1072.
Depois de 20 minutos por lá, resolvi seguir para Sarriá, distante cerca de 48 km. Naturalmente, enfrentei mais subidas, com o sol ainda forte e o vento desestabilizador. Cheguei em Sarriá exausto mas segui até Portomarim onde o vento fortissímo não me deixava avançar mais e resignei-me a ficar por alí. A vontade de chega a Santiago já é grande neste momento!

Até logo!
Paulo Reis



April 28

Dia 7 - Astorga a Vega de Valcarce

Dia 7 - Astorga a Vega de Valcarce
Distância – 95Km
Tempo gasto 10h30m

Este dia começou mal, foi fabuloso e terminou ainda melhor. Começou ás
6.20h com uma subida progressiva de 25 kms até á cruz de ferro, local
onde cada peregrino é suposto deixar uma pedra trazida do seu país.
Infelizmente a minha pedra portuguesa já faz parte do caminho pois
voou com parte da minha roupa das mochilas á alguns dias atrás.
Tive muitas dores hoje nos tendões de aquiles de ambos os pés nos
primeiros 30 kms de agonia e dor. Depois de chegar ao topo da montanha
as dores melhoraram e senti algum alivio com a descida vertiginosa e
perigosa! Nesta montanha conheci pessoas únicas! Uma família Francesa
de 5 pessoas que ia percorrer o caminho nos proximos 3 meses, sendo
que eram mariodo, mulher e 3 fillhos. Os filhos tinham 2,4 e 6 anos. O
de dois anos era transportando pelo pai num carrinho de mão, e os
outros dois tinham as suas mini-bicicletas e andavam alegremente a
pedalar montanha abaixo. Avistei uma pessoa isolada e sentada no chão
no "meio de nada" e aproximei-me para saber se estava bem! Era um
jovem Frances que estava a tocar a sua guitarra. Durante a conversa
disse-me que tomara a decisão de ser músico e andava no caminho de
santiago á procura de inspiração para compor musica.
Quando ia a descer a montanha cheguei áo albergue do Tomás, um
ex-monge da ordem dos templários, que por aqui ficou e construiu um
albergue de peregrinos muito original. Deu-me conselhos para a
descida, falou-me da vida simples e descomplicada que levava no cimo
daquela montanha. Disse-me que não saia mais dali pois "encontrara o
seu caminho", nem mesmo no inverno em que armazenava comida e lenha
para 100 dias. Ofereci-lhe a bandeira dePortugal que trazia comigo
pendurada na bicicleta para que ele colocasse numa das paredes da casa
onde tinha algumas de outros países. Falei ainda com uma Americana e
um Neozelandes que estava com graves problemas nos joelhos após a
descida da montanha. Fiz a boa acção do dia e dei-lhe os dois
comprimidos anti-inflamatorios que trazia comigo para as
eventualidades do caminho. Ao fim de mais 95 kms estenuantes, cheguei
ao Albergue do Brasil, onde o Itabira Cunha me recebeu muito bem. Este
albergue foi aberto por ele há dois anos atrás e ele decidiu vir para
cá e está a fazer um esforço para mostrar a cultura brasileira aos
peregrinos de todo o mundo. O jantar foi típico basileiro e á mesa
estavam 1 Hungaro (que vem a santiago e volta a pé para casa), 1
Brasileiro, 2 Espanhois e 2 Finlandesas e aqui o Português. Todos nos
apresentámos e comemos em conjunto, falando cada um da sua experiência
pessoal sobre o caminho e de como ele nos tinha ensinado algo de muito
mágico. Estou agora a ouvir uma musiquinha brasileira, deitado numa
rede a descansar as pernas demasiado desgastadas.

Informação adicional:
saindo de Astorga e passados dez quilometros estáva em Rabanal. O
Monte Irago foi trepado em pouco mais de 2.30h. É duro mas faz-se!. A
verdade, porém, é que a subida, assim como todo o caminho e todas as
dificuldades ou alegrias são diferentes para cada um. Para mim, a
subida foi forte, mas muito menos do que esperáva. Amanhã tenho outra,
a do El Cebreiro, que também dizem que é pesada. A subida até
Foncebadón é feita por uma estradinha tortuosa. Dá para ver, a cada
metro que se sobe, toda a paisagem que ficou para trás. Ao lado da
estrada, pequenas flores brancas e amarelas dão um colorido todo
especial ao caminho. Realmente, é uma alegria para os olhos ver toda
essa cor (o únco problema são as abelhas e outros insetos em busca do
pólen, que a todo momento batem na cara).
Foncebadón fica a aproximadamente a quatro quilometros de Rabanal e é
uma vila praticamente fantasma. O último censo oficial aponta que
apenas cinco pessoas moram lá, embora existam muito mais casas do que
isso. Essa paragem funciona como um descanso para os próximos dois
quilometros que faltam para atingir o pico máximo do Monte Irago, onde
está colocada a Cruz de Ferro, a 1.504 m de altitude. A visão desse
monumento simples, mas especial, pois o monmento é um tronco de cinco
metros de altura em cuja ponta está fincada uma cruz de ferro, e que
tem em sua base um monte formado pelas pedras que os peregrinos atiram
para ter boa sorte. Alguns peregrinos amarram fitas, deixam mensagens
e objectos ao pé da cruz. Ao lado, foi construída a ermita de
Santiago, que está toda escrita com mensagens de peregrinos.
Depois da Cruz, foi um sobe-e-desce de mais ou menos três quilometros,
para, finalmente, começar a descida mais alucinante que fiz na
viagemiagm. Passei por Manjarin, um povoado abandonado, El Acebo,
cuja rua principal é a própria estrada e terminei a descida em Molina
Seca, outra cidade muito pequena (menos de mil habitantes). A próxima
cidade do trajeto foi Ponferrada, com mais de 65 mil habitantes e uma
boa surpresa para nós. A cidade é grande e tem vários atrativos, entre
eles um autêntico castelo de cavaleiros templários (soldados que
defendiam os peregrinos) e uma basílica muito bonita, da Virgen de la
Encina, além da igreja de San Andres, localizada ao lado do castelo.
Ponferrada tem o nome oriundo de uma ponte mandada construir pelo
bispo Osmundo, no século XI, para facilitar a vida dos peregrinos.

Amanã segue a viagem e js só faltam 167 kms...

Paulo Reis


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Albergue do Brasil

Oi Pessoal,
 
Acabei a minha setima etapa e estou alojado no Albergue do Brasil, gerido pelo Itabyra Cunha. O albergue tem um ambiente muito especial e agradável vejam no link que se segue toda a historia deste albergue que foi fundado há dois anos.  Vejam tambem no website o mapa interactivo para saberem a minha posicao em relacao a Santiago de Compostela.
 
 
April 27

Dia 5 - Burgos a Sahagun

Dia 5 - Burgos a Sahagun

Distância – 140Km
Tempo gasto – 11h00m

O dia começou cedo ás 7.30h com uma visita á Catedral de Burgos e
segui viagem. Encontrei dois idosos alemães em bicicleta e fomos-nos
cruzando várias vezes e sorrinfo, pois comunicar era díficil pois eles
só falavam alemão! A certa altura perdi-os de vista e só os voltei a
ver6 horas mais quando parei para almoçar. Para mim hoje foi o dia dos
planaltos e panícies intermináveis. Pedlei durante 10 horas sempre
acima dos 800m do nível do mar com temperaturas de 38 Graus. O tempo
muda por aqui de uma forma muito abrupta, ainda ontém estiveram 10
grsus e hoje um calor infernal. O terreno hoje era bastante
acidentado, mas sem grandes desniveis o que contribuiu para eu ter
conseguido fazer 140 kms pelo segundo dia consecutivo. Fisicamente
sinto-me muito bem e depois de 560 kms só me doi um pouco o Tendão de
Aquiles de um pé devido ao esforço.
Logo pela manhã avistei no mei de um bosque uma casita rústica pintada
com cores psicadélicas e fui investigar. Era um albergue de hippies, o
cheiro que vinha de dentro do albergue era bastante estranho. O dono
esplicou-me que tinha vindo fazer o caminho á dois anos atrás e
avistou uma casa em ruínas no meio de nada e ocupou-a pois
apaixonou-se pelo sitio e pelas pessoas que por ali passavam
(peregrinos loucos de todo o mundo). Começou a ir comprar bebidas á
cidade mais próxima e abrir um bar no meio de nada, conforme foi
ganhandouns trocos, pintou e construiu o tecto. Hoje em dia gere o
albergue com a namorada e durante seis meses por ano vive das
contribuições dos peregrinos.
À parte desta paragem, tive um dia monótono, em que ultrapapassei
milhares de peregrinos a pé e conheci um casal de italianos que
seguiam pela estrada e que me tentaram convencer a seguir com eles,
pois seria menos duro e eu estava bastante cansado. Recusei, pois
mantenho-me fiel á minha vontade de seguir sempre pelo caminho
aconteça o que acontecer!
Hoje inaugurei um ritual chamado "Happy hour do peregrino Tuga" e
passo a explicar: Como só tenho uma pilha recarregável para ouvir
música no MP3 durante cerca de horra e meia, tenho de escolher um
momento de estrema felicidade durante o dia para gozar deste
privilégio. Hoje o momento zen do happy hour foi quando subi aos 1200m
a pé arrastando a bicicleta com 25 kgs, algo que já domino na
perfeição e que até já me dá algum gosto masoquista e em seguida desci
durante meia hora sem ter de pedalar.
Ao chegar ao Albergue de Sahagun vi um velhote de barbas brancas, com
ar debilitado e perguntei se precisava de ajuda? Respondeu-me que
apenas lhe doiam muito os pés. Começamos a conversar e disse-me que
tinha 82 anos e esta era o terceiro ano consecutivo que vinha a pé até
Santiago, desde a Bélgica. Fazia uma média de 40 kms ao dia (um
peregrino normal faz 20-25 kms ao dia) e alimenta-se apenas de frutos
secos, água e vinho! Uma personagem fantástica!
A confiança vai aumentado a cada dia e a meta final já não assusta e
até estou a gostar de sofrer tanto. Chamem-me masoquista, mas tudo que
vejo e vivo por aqui são ensinamentos preciosos e exercicis de
auto-conhecimento fantásticos.


Informação adicional:

A saída de Burgos foi fácil. Apanhei uma estrada nova, limpa e bem
sinalizada – em direção a León. Os primeiros 20 quilómetros foram
fáceis, apesar das subidas, que, afinal, não eram tão difíceis, embora
intermináveis. Até então, nada de vilarejos ou povoados, uma novidade
para mim, que passei os últimos dias a parar a cada 10 quilômetros no
máximo para ver e fotografar uma vila ou uma igreja com no mínimo 200
anos de existência.
TDurante grande parte do dia os caminhos são absolutamente paralelos
em grande parte do percurso e a distância entre eles não chega a 10
metros.
Depois de quase 40 quilómetros, entrei num vilarejo chamado
Villasandino. A sua igreja, dedicada a Nossa Senhora de la Assunción,
guarda ainda traços muito marcantes da época em que foi construída, no
século XIII. Ampla, com uma nave central única com mais de 20 metros
de altura, com uma decoração despojada, parece que continua igual ao
que era na Idade Média. O vilarejo, que já teve 1.600 habitantes, não
tem hoje mais do que 150, a maioria aposentados. A partir daí foi
percorrer as planícies de Castilla e Leon em direção à Palência foi,
como era de esperar, uma dureza, principalmente por conta do sol que
não deu tréguas e um vento de frente que não tornou a minha vida nada
fácil. De Castrojeriz passei por Itero Del Castillo, a última cidade
de Castilla e Leon antes de Palência. Antes de chegar em Frómista,
passei por Boadilla Del Camino, um vilarejo com 200 habitantes. Passei
por Frómista com vontade de chegar a Carrión de los Condes, o detalhe
negativo para o Caminho é que a via dos peregrinos, totalmente
sinalizada com postes que continham uma espécie de azulejo azul com um
alto-relevo da concha-símbolo do Caminho em amarelo, foram todos
surrupiados por peregrinos. É uma pena que existam pessoas que ainda
pensam que é engraçado levar "souvenires" destes para casa. O Caminho
perde com isso, os peregrinos ganham má fama e aqueles que roubaram as
peças com certeza não puderam utilizá-las, pois muitas estavam
partidas na berma do caminho. Sahagún é onde me encontro de momento,
uma cidade com pouco mais de 3 mil habitantes, distante cerca de 50 km
de Carrión de los Condes.

Amanhã á mais...

Paulo Reis


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Aqui vai uma das letras da música do Flakito

O Flakito é o pergrino de quem vos falei que anda a percorrer o "Caminho de Santiago" nos próximos 3 meses a distribuir a sua musica...

 

Vejam o seu website em:

http://www.flakito.net/

 

CD song lyrics

 

La Hamaca Entre Dos Estrellas (Flakito)

En camino, me di cuenta que no hay camino
Camino se hace al caminar
Algunos afortunados caminan juntos toda la vida
Y a otros, nos toca separar

Voy a colgar mi hamaca entre dos estrellas
Mirar la luna navegar entre los horizontes
Voy a soltar mis sueños entre las nubes, ellas
Los sabrán sembrar, mejor que yo, en el monte
Más allá …

Un paso pa’ delante y un paso para atrás
El “progreso” tiene su precio, hay que aclarar
Conflictos de interés, el afán de siempre tener más
Desde otros puntos de vista hay que mirar

Voy a colgar mi hamaca entre dos estrellas
Mirar la luna navegar entre los horizontes
Voy a soltar mis sueños entre las nubes, ellas
Los sabrán sembrar, mejor que yo, en el monte
Más allá …

Buscar en lo cotidiano lo sagrado, la belleza
Hallar la alegría que se esconde entre dolencias
Integrar lo humano como parte de la naturaleza
Y quitarle tanta injusticia e indiferencia

Voy a colgar mi hamaca entre dos estrellas
Mirar la luna navegar entre los horizontes
Voy a soltar mis sueños entre las nubes, ellas
Los sabrán sembrar, mejor que yo, en el monte
Más allá … más allá … más allá …

Dia 6 - Sahagun a Astorga

Dia 6 - Sahagun a Astorga

Distância - 110Km
Tempo gasto 10h00m

Hoje decidi experimentar a técnica de acordar cedo e começar a pedalar de noite. Começei as 5.45h e dei-me mal, pois até amanhecer perdi-me constantemente. Tive uma situação curiosa quando perdi o caminho e fiquei no "meio de nada" sem saber o que fazer e decidi seguir o instinto e traçar o meu próprio caminho pelo meio da lama a pé por 3 kms (foi optimo). Logo em seguida fui brindado com uma area de serviço, onde lavei e lubrifiquei o meu meio de transporte. À parte disto, o dia foi muito identico ao de ontem, com um sol abrasador e muitos kms nas pernas. Passei a noite apreensivo, pois no dia anterior tinha tido uma dor forte no tendão de aquiles e sofrido horores para terminar a etapa. Durante a noite tive as dores presistiram e pensei que o meu caminho podia estar comprometido. Após os primeiros kms do dia a dor desapareceu e depos de mais uma centena de kms felizmente não voltou a aparecer. Ao fim deste sexto dia e com 550 kms nas pernas começei a sentir o peso real dos kms acumulados e das inumeras horas a pedalar.Sinto-me fraco, debilitado e desidratado. Já só faltam 250 kms para chegar a Santiago, mas amanhã voltam as montanhas e vou ter de passar pelo ponto mais alto do percurso a 1500m de altura e não sei se vou conseguir ir muito longe amanhã?? A meio do dia passei por Leon onde tive dificuldades em movimentar-me, tendo perdido 1.45h a ver os monumentos e a atrevessar a cidade no meio do transito intenso. Hoje o dia foi extremamente monótono e terminou mais cedo por volta das 16.30h. O gerente do Albergue é um Portugues de Viseu que me pos ao corrente que dois portugueses em bicicleta e uma portuguesa a pé tinham por ali passado nos dias anteriores. Encontrei também no albergue um miúdo Italiano com quem falara em Burgos que está a fazer o Caminho por estrada numa "bicicleta pasteleira". Nos últimos dois dias fez as mesmas etapas que eu só que saiu mais tarde e sofreu muito mais.

Nota extra: Hoje durante as longas horas de intropecção e busca da razão por estar a passar por tudo isto, lembrei-me da primeira vez há 8 anos atrás que ouvi falar deste caminho milenar e desde aí sonhei percorré-lo. Soube do caminho através de um amigo que é uma pessoa muito especial e um exemplo de vida! Chama-se Ranimiro e é um praticante de parapente brasileiro que teve a infelicidade de perder uma perna num acidente! Desde aí nunca mais parou de participar em aventuras, como continuar a voar de parapente, fazer Rafting na Nova-zelandia, escalar montanhas de 8000m no Tibete e fazer o caminho de santiago em bicicleta, tudo isto com a sua única perna. Desde que li o seu relato da viagem e vi as suas fotografias que iniciei o meu "Caminho de Santiago" em sonhos...Hojr estou a concrtizá-lo.

Informação adicional:
Depois de Sahagún, passei por Calzada Del Coto e, novamente por falta de sinalização, perdi a entrada para El Burgo Ranero. Segui em direção a Mansilla de las Mulas. Daí para León foi uma pedalada só, de 20 quilometros. O sol torrava e só começei a subir um pouco quando faltavam quatro quilometros para chegar. Depois dessa subida, uma boa descida até a cidade, que tem cerca de 140 mil habitantes. A viagem até Leon é monótona e sem sentido, há pouca coisa para ver e é razoável imaginar que o peregrino que vai a pé, com um sol destes na cabeça por quilometros sem fim, começe a imaginar coisas. Ontem, vi varios peregrinos com princípio de insolação, incluindo a "minha pessoa".
Em Leon, o passeio pela cidade levou-me à Catedral de Santa Maria de la Regla, a catedral de León, uma das obras-primas do gótico espanhol e que rivaliza com a catedral de Burgos como uma das principais construções religiosas da Espanha.
A catedral de Santa Maria foi construida no século XII. León tem quase 140 mil habitantes, um trânsito maluco.
Passei por uma rua que exibe uma espécie de castelo, obra de Antonio Gaudí, datado da segunda metade do século 19 e que hoje abriga uma instituição financeira. Na mesma rua, vários bares colocam mesa e cadeiras no passeio para que as pessoas possam tomar café e admirar o movimento. Passei também pela Basílica de Santo Isidoro, cujos registros datam de 1063.
Pedalei 55 kms de León a Astorga, cidade com pouco mais de 12 mil habitantes e muito simpática. Resovi fazer mais estes kms pois cheguei cedo a Leon e resolvi adiantar o passo e diminuir o sofrimento que me espera amanhã, quando subir o temível monte Irago até Foncebadón, onde está a Cruz de Ferro, para possivelmente pernoitarmos em Ponferrada.
A viagem até Astorga não teve qualquer emoção. Passei por vários vilarejos - Trobajo Del Camino, La Virgen Del Calmino, Valverde de La Virgen, San Miguel Del Camino e Villadangos Del Páramo - e, em nenhum desses lugares vimos qualquer sinal de vida. As igrejas estavam fechadas e não havia nenhum movimento nas ruas.
A situação só melhorou quando entrei em Puente de Orbigo, uma ponte sobre o rio Orbigo, conhecido por ser palco de inúmeras batalhas, entre elas aquela em que o rei Alfonso III, "el Magno", enfrentou as tropas cordobesas, no ano 900. Porém, o nome de "Passo Honroso" deve-se ao facto de que em 1434, o cavaleiro leonês Suero de Quiñones e nove seguidores, enfrentaram, por trinta dias, todos aqueles que ousaram passar pela ponte, como "resgate" de sua prisão de amor por uma certa senhora. Depois disso, Suero foi a Compostela e entregou uma bracelete de ouro de sua dama ao apóstolo Santiago. É por essa e outras histórias, que se contam aos milhares, que o caminho de Santiago se torna mágico.
Em seguida, quase que pegado a Puente, está o Hospital de Orbigo, local onde foi mandado construir um hospital para ajudar os peregrinos.
Astorga é uma cidade com 2 mil anos de história e é como se fosse um imenso monumento. Existe uma muralha que passa ao lado do convento dos Padres Redentoristas, a Catedral de Santa Mariía, em estilo gótico e que teve a sua construção iniciada em 1471. Ao seu lado, o Palácio Episcopal, uma obra em estilo gótico de Antonio Gaudí, terminada em 1913, e que abriga o Museu de Los Caminos.

Amanha continua...

Paulo Reis

April 26

Dia 4 - Logrono a Burgos

Dia 4 - Logrono a Burgos

Distância - 140Km
Tempo gasto - 13h00m

Fiz neste dia tantos kms como os que fiz no somatório dos 3 dias anteriores. Exagerei um pouco e não vou voltar a fazé-lo, embora me sinta bastante bem fisicamente. Parte da experiencia deste caminho, passa pelas pessoas que se conhecem e de tudo o que vivenciamos e não quero perder isso com a possibilidade de poder fazer muitos kms diários. Hoje consegui perder metade da minha roupa e o camel-bag, pois deixei uma das bolsas das mochilas abertas e elas voaram dali para for ao longo do dia. Não estou preocupado com isso, pois já me consegui habituar a sobreviver com muito pouco, como a maioria destes peregrinos. Hoje foi outro dia solitário de bicicleta e agora perdi os espanhois a quem já me habituara de encontrar ao fim do dia para falarmos sobre as dificuldades do dia. Aqui em Burgos encontrei mais peregrinos em bicicleta, mas que desistiram de fazer o caminho devido á dificuldade e seguem até Santiago pelas estradas. Ao longo do dia fui sempre parando e falando com brasileiros, neozelandeses, bulgaros, coreanos, italianos, espanhois e franceses. A vantagem de fazer o caminho em bicicleta deve-se ao facto de se conseguir fazer mais kms do que a pé e cruzamo-nos com muito mais gente. Encontrei hoje um peregrino que pertencia à "Amnistia Internacional" e está a fazer o caminho (previsão de 3 meses para terminar) com os seus instrumentos musicais (incluindo um acordeão pesadissimo), dando concertos "one man show" em cada povoação que passa. Transporta consigo também milhares de panfletos da"AMI"e Cds da sua música que vende e cujos fundos vão para a AMI. Estive a falar também com uma peregrina que ia até Santiago montada na sua bela égua. Quando a encontrei e abordei, estava ela parada na berma. Comentei que a égua era linda e ela disse-me que a égua decidira tirar uma soneca e que quando isto acontece só lhe resta esperar. Contou-me que faziam cerca de 20 kms por dia e das dificuldades que tinha diáriamente. Era díficil encontrar lugares onde dormir e onde pudesse guardar a égua, tinha de procurar comida diariamente para a égua, bem como preparar e carregá-la diáriamente.
Desculpem a escrita, mas não existe nunca tempo para mais nada e corrigir o que quer que seja depois de tantos kms no lombo é algo que o meu cerebro não aguenta. Tenho de ir descansar, pois amanhã vou tentar fazer mais uns poucos dos 500 kms que me restão até Santiago, pois 300 já estão feitos. Estou fascinado com tudo isto e ainda não vou a meio e se pudesse começava já tudo de novo. Existe realmente algo de mágico neste caminho e já sinto que faço parte dele e muitas vezes ao longo do dia sinto que algo de especial acompanha todo este grupo de nómadas temporários por esses "caminhos de cabras fora"! As pessoas das povoações são muito delicadas e estão sempre prontas a orientar e ajudar um peregrino.

Informação adicional:

A primeira cidade que encontrei pela manhã foi Nájera e em seguida Santo Domingo de La Calzada, uma pequena cidade com quase 6 mil habitantes, porém uma das mais importantes para o caminho. Conta a história que um homem, chamado Domingo, desgostoso por não ter conseguido entrar para uma ordem religiosa após vários anos de estudo, resolveu ajudar os peregrinos, que já caminhavam em direção a Santiago de Compostela. Domingo construiu a catedral, uma ponte e o albergue, que existem até hoje. Depois de sua morte, a cidade tomou o seu nome. Além disso, uma das lendas mais conhecidas do Caminho vem dessa cidade: um casal levava seu filho Hugonell para se casar numa das cidades vizinhas, quando resolveu pernoitar em Santo Domingo. Numa taberna, uma mulher que servia as mesas apaixonou-se pelo rapaz, porém não foi correspondida. Para se vingar, colocou uma taça de prata na bagagem do noivo e acusou-o de furto. Hugonell foi condenado à morte pelo crime. Seus pais, desesperados, recorreram ao corregedor da aldeia que disse que ele só se salvaria se a galinha assada que estava para ser comida voltasse a viver. Nesse instante, a galinha cantou. Daí, o refrão "Santo Domingo de la Calzada, donde canto la gallina después de asada" . A partir desse dia, foi colocado um galinheiro dentro da igreja, que permanece até hoje. É considerada boa sorte quando o galo canta quando um peregrino sai da igreja. A catedral é uma verdadeira obra de arte. Bela e riquíssima, é extremamente bem conservada. A viagem continuou em ritmo de subida até Belorado, pouco mais de 23 km de Santo Domingo. Por muitos quilómetros acompanhei peregrinos que vão, em seu passo lento, amparados por cajados de madeira ou bastões para alpinismo de última geração - alguns feitos até mesmo de fibra de carbono - bem ao lado da rodovia N-120. O tempo esteve encoberto até Burgos e passei por uma imensidão de verde proveniente das plantações de trigo.
Em Villafranca Montes de Oca, vi uma placa: 6 graus de inclinação nos próximos 3 quilômetros e subidas até aos 1300m. Naturalmente, não desisti pois já muito poucas coisas me podem desmotivar neste caminho. A chegada a Burgos é um pouco complicada. A cidade é grande para os padrões do Caminho, com cerca de 170 mil habitantes, e às 18.00h, o trânsito estava muito mau e foi díficil encontrar o belo albergue de Burgos.

Amanhã continua...

Paulo Reis


April 25

Dia 2 - Roncesvalles a Puente la Reina

Dia 3 - Roncesvalles a Puente la Reina

Distância - 75Km
Tempo gasto - 12h00m

Mais um dia de sol, duro mas com paisagens lindíssimas. Para mim foi o dia dos furos (3 furos) e da lama interminável. As emoções e ensinamentos que o caminho nos transmite estiveram presentes. No dia anterior disse a vários peregrinos que o meu objectivo era fazer 100 kms no dia seguinte e todos aqueles que conheciam o percurso me olhavam com um ar aterrorizado, mas só mais tarde sofri na pele o esforço a que me sujeitei para atingir essa meta. A partir de hoje não há mais metas, senão o de eventualmente chegar a Santiago de Compostela e mesmo esse passou a ser secundário para mim. O importante é percurso e não objectivo, isso fica gravado na mente de cada uma das pessoas que por aqui anda e é isso que ajuda a manter a sanidade mental de quem tem tanto que sofrer ao longo deste fantástico caminho. Diariamente passo de estados de espíritos de extrema alegria para em seguida estar desesperado e a pensar deistir, mas pedalada atrás de pedalado lá sigo sempre o meu caminho, encontrando centenas de peregrinos com um sorriso nos lábios. O dia de hoje começou às 7.00h quando um dos meus companheiros espanhol me acordou conforme combinado. Como já tinha arrumado praticamente tudo na noite anterior despachei-me e parti sozinho com a promessa de nos encontrarmos os 5 betetistas mais adiante. Logo cedo já havia muitos peregrinos a pé em marcha, parei para tomar um belo pequeno-almoço no único bar aberto na povoação vizinha que aos poucos foi ficando cheio. Encontrei aí os meus amigos Nick (Australiano), Ana Paula (Brasileira) e muitos outros. Foi curioso assistir ao Nick que decidiu deitar for a alguma da roupa que trazia pois o peso da mochila era demasiado. Isto foi acontecendo com mais peregrinos ao longo do dia, pois via-se roupa espalhada ao longo do caminho. A lição que tiro disto, é que as pessoas conseguem despojar-se de muito daquilo que lhes traz conforto quando assim o desejam! Juntei-me nessa altura ao "grupo dos espanhois das bicicletas" e seguimos juntos. Dois deles andaram mais e eu vinha na conversa com um dos outros quando ele furou um pneu. Remendámos e seguimos, para 500m á frente estar outra vez furado pois tinha sido mal reparado. Não me alongando muito, este processo repetiu-se 3 vezes perdemos 1 hora. Comçei a ficar farto da situação, disse adeus e segui sozinho na primeira subida que vi. Nas duas horas seguintes pedalei sozinho, para depois encontrar os outros dois elemento do grupo. Diss-lhes que os outros deviam vir com uma hora de atraso, pois quando os larguei o ritmo era baixo. Acharam que eu devia vir a um ritmo muito forte e ficaram logo para trás. Uns 5 kms mais á frente tive o meu primeiro furo e eles seguiram pois eu fui rápido e estava quase pronto quando passaram. Entretanto passam também os dois espanhois retardatários, que afinal não eram assim tão retardatários como isso! Resumindo encontrá-mo-nos todos uns kms á frente e decidimos que iamos todos juntos, pois afinal tinhamos ritmos identicos. Fui por ar no pneu numa bomba de gasolina e eles seguiram a estrada onde seria suposto esperaem por mim mais adiante. A subida era imponente, deixei de indicações do caminho e fui subindo, estranhando não os encontrar! Ao chegar ao alto encontrei alguns peregrinos a pé e uma placa e fiquei mais descansado e a pensar que pedalava como uma lesma, pois não conseguira juntar-me ao grupo. Embrenhei-me na floresta na subida do alto do erro. O nome sujestivo deste alto deu-me que pensar muito nas horas seguintes porque: Na floresta tive uma sensação "Deja vue" e fiquei assustado. Pois tudo o que via tinha quase a certeza que era conhecido! Só me apercebi que estava a fazer o mesmo percurso de novo quando encontrei as pegadas do local onde reparara o furo. Fiquei tão chateado, desesperado e sem saber o que fazer. Decidi o obvio, descer de novo a montanha até ao ponto onde me perdera para constatar o terível erro que o grupo cometera por partirmos juntos, em amena cavaqueira e distraidos. Não voltei a ver os outros e pensei que tinha sido o burro e que eles se tinham apercebido do erro e regressado. Isto, o facto de ter perdido 1.30m e feito 10 kms extra atormentou-me o resto do dia. O que valeu foi a beleza do enlameado caminho, onde a certa altura mergulhei vestido no rio gelado para me limpar de tanta lama. O dia foiseguindo, pasei por Pamplona , e mal sabia eu que teria de subir um outro monte, também com o nome sujestivo de "Alto do perdon". A partir de hoje passei a ter medo da palavra "alto" em espanha, pois para mim, até ao presente momento, só significa sofrimento brutal. Com muito custo conseguí chegar ao refúgio de "Puente la reina", lavei a roupa, tomei banho e quando ia jantar aparecem os 4 betetista, que j ulguei nunca mais vir a vé-los! Resumindo, o esperto fui eu que desci o monte de novo e eles continuaram e desceram para mais longe ainda e chegaram ao refúgio 2 horas depois de mim, num estado muito débil! Amanhã vou ter de seguir viagem, agora sem grandes planos, nem vaticínios sobre a dificuldade da etapa.

Dados adicionais :

A primeira cidade depois de Roncesvales é Burguete, uma cidade praticamente fantasma onde não se vê ninguém na rua. E assim foi em todas as vilas em que passei durante o dia, excepto em Pamplona, cidade grande, moderna e centro regional de Navarra.
No meio do caminho fica Zubiri, onde existe uma ponte gótica datada do século XV construída sobre o rio Arga. A pequena Larrasoaña, no vale do Esteribar, também tem uma ponte medieval do século XV, chamada "puente de los bandidos", por causa dos bandoleiros que ficavam à espreita dos viajantes para roubá-los. Hoje, essa situação não existe. Desde o século XII a cidade é citada em relatos peregrinos. Nesta zona avistei muitos ciclistas de bicicleta de estrada pelos simples motivo: primeiro, porque a topografia é excelente para quem aprecia bicicleta, com várias subidas fortes e depois porque nessa região vive o pentacampeão do Tour de France, Miguel Induraín, que nasceu em Villava, localidade bem próxima a Pamplona. No caminho, vimos grandes plantações de aspargos, famosíssimos em todo o mundo e uma espécie de tradição gastronómica local, ao lado do jamón serrano, esse sim preferência nacional.
A chegada a Pamplona foi um pouco complicada. A cidade é grande e tem vias de acesso muito movimentadas. É preciso muito cuidado e atenção aos caros. Ao chegar, uma das primeiras visões é a da Catedral Metropolitana, construção datada do século XIII e modificada através dos tempos por inúmeros arquitetos (o último deles refez a fachada, agora em estilo neoclássico).
Na parte velha de Pamplona, as ruas não têm mais de cinco metros de largura e mal passa um carro. A situação piora porque a cidade está em obras. Essa parte de Pamplona é belíssima e está bem conservada. A arquitetura local é muito interessante e forma uma espécie de mosaico pelas ruas estreitas.

Em Puente la Reina, . Na entrada existe a , uma estátua de peregrino, para simbolizar o ponto onde os caminhos de Roncesvalles e Somport se encontram para seguirem juntos até Santiago de Compostela. A cidade é toda em estilo medieval, com ruazinhas estreitas e prédios bem conservados. A maior atraçao, porém, é a ponte sobre o rio Arga, construída para ajudar os pregrinos na travessia entre o ano 1000 e 1035. Em estilo romano gótico. Suas igrejas mantem o mesmo estilo que encontramos desde Saint Jean Pied Port, cada uma delas com objetos ou histórias muito interessantes.

Até amanhã,

Paulo Reis


Dia 3 - Puente la Reina a Logrono

Dia 3 - Puente la Reina a Logrono

Distância - 80Km
Tempo gasto - 12h00m

Mais um belo dia, com paisagens muito lindas. Um dia com muitas atribulações, mas já pouco me importo com as dificuldades pois apercebi-me que fazem parte do caminho. Acordei ás 7.00h e estava um pouco dorido, mas lá me fui perparando para seguir. Reparei que tinha um furo e lá fui reparar o dito! Ao montar a camera de ar, furou de novo. Desesperado pedi remendos diferentes a um dos espanhois. Só desta vez reparei que havia un grande corte no pneu e tive de cortar uma camera de ar para reforçar a área. Apareceu um bioloo velhote alemão de 68 anos que se auto-intitula "bio-loco" com uma história de vida muito interessante que escreverei mais tarde. Resumindo, ele tinha tido uma experiencia de "quase morte" e decidiu passar o resto da vida extra que lhe foi concedida a ver o mundo. Regressa a casa de 3 em 3 meses e a mulher porvezes acompanha-o, outras não. Pedala um bicicleta com uma carga de 50 kgs e percorreu 1600 kms nos últimos 3 meses e quer chegar de bicicleta casa na alemanha. Está a fazer o Caminho de Santiago ao contrário e começou a pedlar em Portugal.
Vou ter de ser breve pois o Pocket PC está sem bateria...

O dia correu bem, fi-lo sozinho uma vez mais e sinto que nada vai impedir que chegue a Santiago, mas nunca se sabe... Hoje foi o primeiro dia que me senti bem a sério e os obstáculos foram encarados como mais um de muitos por que terei de passar. Hoje disseram-me por duas vezes que uma parte do caminho era intransponível para bicicletas, razão pela qual devia seguir pela estrada. Encarei o desafio com calma e consegui fazer o troço complicado. Perto das 3.00h da tarde cheguei a fonte de Irachi um dos marcos a não perder, pois neste local existe uma fonte de vinho para os peregrinos brindarem á felicidade. Esta dádiva da população local é muito bem vinda e vemos os peregrinos a encherem os cantis e a beberem para se hidratarem. Embora não goste muito de vinho, bebi quase um litro pois estava sem água e também para ajudar a esquecer o sofrimento do sol escaldante (30 graus) e das horas intermináveis em cima do selim. No fim do dia a dois kms de logrono encontrei de novo dois dos restantes ciclistas espanhois dos dias anteriores, que vinham pela estrada pois um deles estava de rastos e não conseguiu fazer o trajecto díficil do caminho que mencinei anteriormente. Estou no albergue (3€) que tem uma capacidade para 90 peregrinos e está cheio. Muitos jovens a fazerem o caminho! É realmente impressionante os milhares de peregrinos que por aqui andam e a forma como todos estes povos vivem de serviços prestados aos peregrinos.

Peço desculpa pelos textos deturpados, mas estou a escrever com uma caneta minúscula, num ecrã de 10 cms, às escuras, pois os peregrinos tem de recolher na sua cama às 21.00h.


April 24

Dia 2 - Percurso de Saint Jean Pied Port a Roncesvalles

Dia 2 - Percurso de Saint Jean Pied Port a Roncesvalles

Distância - 30Km
Tempo gasto - 3h40m

Consegui chegar a Saint Jean Pied Port ás 10.00h conforme previsto! Apressei-me a procurar a "Oficina do peregrino" para obter a minha credecial de peregrino que me dá acesso aos albergues e no fim do percurso servirá como prova da peregrinação para obter a Compostela.Consegui carimbar a credencial na Associação dos Amigos do Caminho de Santiago com o sr. Santiago, um voluntário que tenta ajudar os peregrinos que não param de chegar com as suas mochilas, cada uma maior e mais pesada que a outra.
Comprei ainda comida e abasteci-me de água com fartura pois a jornada ia ser dura. Não consigo descrever em palavras a dureza destes 37 kms com a subida constante e fatigante dos pirinéus. Atravessar os Pirineus de bicicleta carregado com 20 quilos não é uma tarefa muito fácil. As subidas eram duras mas extremamente gratificantes pela paisagem espectacular. A observação de centenas de águias e abutres foi a "cereja em cima do bolo". O desnível entre Saint Jean e Ibañeta, que é o local mais alto desta etapa do percurso (1.557 m), é de 1320 m. Contudo, chegei ao meu objectivo sem precalços e em boa forma às 16.00h! As outras bicicletas que sairam mais tarde apanharam condições climatéricas muito mais adversas e chegaram ao albergue já de noite. Ao longo do trajecto, convivi com mais de 50 peregrinos pedestres, desde Australianos, Espanhois, Franceses, Alemães , Belgas, Irlandeses, Ingleses, etc... 95% deles faziam o percurso a pé e uma grande maioria tinha partido sozinha, existia constantemente ao longo do dia muita entreajuda e partilha de alimentos com os menos prevenidos.
Ao chegar a Roncesvales e depois do banho e lavagem de roupa fui à "missa do peregrino" para tentar entender este ritual, onde o padre benze os peregrinos segundo uma benção secreta e milenar. Em seguida fui jantar, onde dividir a mesa na hora da refeição com outros peregrinos é a norma do caminho. Partilhamos, então, uma garrafa de vinho, uma de água, uma sopa (que até agora não descobrimos do que era, mas era quente), um peixe e batatas fritas, além de pão e um iogurte. O jantar foi na companhia de um dentista Italiano, um Australiano, uma brasileira e uma sueca. Comemos o "menu do peregrino" que é a refeição completa anteriormente descrita sem possibilidade de escolha e que custa 8€ no único restaurante desta povação, que teve 30 habitantes e 200 peregrinos no dia de hoje. Amanhã vai ser um dia aparentemente plano e de recuperação das forças. Fiquei hospedado numa camarata com mais sete elementos da mesma espécie (bicicleteiros) na pousada da Juventude local, pois o albergue estava quase cheio e dá sempre prioridade aos peregrinos a pé, os das bicicletes só podem entrar depois das 18.00h se ainda houver espaço.
Amanhã o grupo das bicicletas, seis espanhois e um portuga decidiu sair junto ás 7.00h, mas o meu objectivo e mais ambicioso do que o dos restantes, pelo que devo largá-los logo que possível e seguir o meu caminho ao meu ritmo!

Informação adicional:
Saint Jean fica às margens do rio Iraty e está muito bem conservada, apesar da enorme afluência de peregrinos e do forte comércio local de "recuerdos". É um local onde cada canto merece uma foto, com certeza um lugar para se lembrar. Suas ruas são íngremes e cobertas por pedras grandes. Na entrada da cidade, que tem quase cinco mil habitantes, tem um portal, que faz parte da antiga muralha da cidade. Saint Jean é datada do meio do século XII, quando o herói nacional francês Carlos Magno passou por essa região e, segundo diz a lenda, popularizou o caminho de Santiago.
Em Roncesvales existe uma cripta em que dizem estar enterrado o herói Roldan, um dos mais diletos companheiros de Carlos Magno.O episódio é contado em detalhes no épico francês Chanson de Roland, e fez de Roncesvalles um lugar bastante visitado. Vários autocarros com estudantes paravam em frente a uma placa comemorativa da famosa batalha , que vitimou mais de 40 mil soldados.
Várias vezes ao dia, o ritual da missa do peregrino acontece dentro da igreja de Nossa Senhora de Roncesvalles. A igreja não é grande e a sua nave central não tem mais do que 30 metros, e é toda em estilo medieval. Suas abóbadas recebem luz indirecta por meio dos vitrais. Lá dentro, quatro padres rezam a missa e alternam as suas orações em espanhol, francês e alemão. Música gregoriana, cantada pelos próprios religiosos enchem a nave. Às vezes, um trecho de uma obra de Bach era tocada pelo organista, também padre. É feita uma oração aos peregrinos e toda a encenação enche os olhos.

Até amanhã,

Paulo Reis


April 22

Dia 1 - Percurso de Saint Jean Pied Port a Roncesvalles

Distância - 37Km
Tempo gasto - 3h40m

Consegui chegar a Saint Jean Pied Port ás 10.00h conforme previsto! Apressei-me a procurar a "Oficina do peregrino" para obter a minha credecial de peregrino que me dá acesso aos albergues e no fim do percurso servirá como prova da peregrinação para obter a Compostela.Consegui carimbar a credencial na Associação dos Amigos do Caminho de Santiago com o sr. Santiago, um voluntário que tenta ajudar os peregrinos que não param de chegar com as suas mochilas, cada uma maior e mais pesada que a outra.
Comprei ainda comida e abasteci-me de água com fartura pois a jornada ia ser dura. Não consigo descrever em palavras a dureza destes 37 kms com a subida constante e fatigante dos pirinéus. Atravessar os Pirineus de bicicleta carregado com 20 quilos não é uma tarefa muito fácil. As subidas eram duras mas extremamente gratificantes pela paisagem espectacular. A observação de centenas de águias e abutres foi a "cereja em cima do bolo". O desnível entre Saint Jean e Ibañeta, que é o local mais alto desta etapa do percurso (1.557 m), é de 1320 m. Contudo, chegei ao meu objectivo sem precalços e em boa forma às 16.00h! As outras bicicletas que sairam mais tarde apanharam condições climatéricas muito mais adversas e chegaram ao albergue já de noite. Ao longo do trajecto, convivi com mais de 50 peregrinos pedestres, desde Australianos, Espanhois, Franceses, Alemães , Belgas, Irlandeses, Ingleses, etc... 95% deles faziam o percurso a pé e uma grande maioria tinha partido sozinha, existia constantemente ao longo do dia muita entreajuda e partilha de alimentos com os menos prevenidos.
Ao chegar a Roncesvales e depois do banho e lavagem de roupa fui à "missa do peregrino" para tentar entender este ritual, onde o padre benze os peregrinos segundo uma benção secreta e milenar. Em seguida fui jantar, onde dividir a mesa na hora da refeição com outros peregrinos é a norma do caminho. Partilhamos, então, uma garrafa de vinho, uma de água, uma sopa (que até agora não descobrimos do que era, mas era quente), um peixe e batatas fritas, além de pão e um iogurte. O jantar foi na companhia de um dentista Italiano, um Australiano, uma brasileira e uma sueca. Comemos o "menu do peregrino" que é a refeição completa anteriormente descrita sem possibilidade de escolha e que custa 8€ no único restaurante desta povação, que teve 30 habitantes e 200 peregrinos no dia de hoje. Amanhã vai ser um dia aparentemente plano e de recuperação das forças. Fiquei hospedado numa camarata com mais sete elementos da mesma espécie (bicicleteiros) na pousada da Juventude local, pois o albergue estava quase cheio e dá sempre prioridade aos peregrinos a pé, os das bicicletes só podem entrar depois das 18.00h se ainda houver espaço.
Amanhã o grupo das bicicletas, seis espanhois e um portuga decidiu sair junto ás 7.00h, mas o meu objectivo e mais ambicioso do que o dos restantes, pelo que devo largá-los logo que possível e seguir o meu caminho ao meu ritmo!

Informação adicional:
Saint Jean fica às margens do rio Iraty e está muito bem conservada, apesar da enorme afluência de peregrinos e do forte comércio local de "recuerdos". É um local onde cada canto merece uma foto, com certeza um lugar para se lembrar. Suas ruas são íngremes e cobertas por pedras grandes. Na entrada da cidade, que tem quase cinco mil habitantes, tem um portal, que faz parte da antiga muralha da cidade. Saint Jean é datada do meio do século XII, quando o herói nacional francês Carlos Magno passou por essa região e, segundo diz a lenda, popularizou o caminho de Santiago.
Em Roncesvales existe uma cripta em que dizem estar enterrado o herói Roldan, um dos mais diletos companheiros de Carlos Magno.O episódio é contado em detalhes no épico francês Chanson de Roland, e fez de Roncesvalles um lugar bastante visitado. Vários autocarros com estudantes paravam em frente a uma placa comemorativa da famosa batalha , que vitimou mais de 40 mil soldados.
Várias vezes ao dia, o ritual da missa do peregrino acontece dentro da igreja de Nossa Senhora de Roncesvalles. A igreja não é grande e a sua nave central não tem mais do que 30 metros, e é toda em estilo medieval. Suas abóbadas recebem luz indirecta por meio dos vitrais. Lá dentro, quatro padres rezam a missa e alternam as suas orações em espanhol, francês e alemão. Música gregoriana, cantada pelos próprios religiosos enchem a nave. Às vezes, um trecho de uma obra de Bach era tocada pelo organista, também padre. É feita uma oração aos peregrinos e toda a encenação enche os olhos.

Até amanhã,

Paulo Reis


April 21

Dia 00 – 10:30 AM - Chegou a hora da verdade

Cruzar o Norte da Espanha a partir da Saint Jean Pied-de-Port, na França, até Santiago de Compostela, de bicicleta. É o chamado Caminho Francês, um dos mais conhecidos caminhos que levam milhares de pessoas à peregrinar a Santiago de Compostela. O percurso passa pelas regiões de Navarra, La Rioja, Burgos, Palencia, León, Lugo e La Coruña.

Pretendo registrar de toda a forma possível (textos, imagens, vídeo) as sensações da viagem, que será realizada de maneira convencional, isto é, com pernoite em albergues, conventos ou pousadas, para melhor tentar compreeder o universo peregrino.

Após alguns meses de preparação estou a algumas horas da partida para a Espanha.  Os dois últimos dias foram bastante intensos relativamente aos preparativos finais. Tudo isso correndo em paralelo com as actividades do dia-a-dia.

A bicicleta está preparada e agora só falta embarcar esta tarde no Comboio pelas 16:00 horas.
 
Até mais!
 
Paulo Reis

P.S: Citação que descreve o meu estado de espirito antes da partida: “Some men see things as they are and say why - I dream things that never were and say why not.” George Bernard Shaw.
 
 
 
April 19

Uma reflexão de um peregrino brasileiro

Não querendo fantasiar sobre o Caminho de Santiago, talvez por não ter sido um dos escolhidos, não tive a sorte de ver bruxas ou duendes, nem pude presenciar pessoalmente qualquer forma de milagre, mas ainda assim, posso afirmar com segurança, que o Caminho de Santiago é realmente mágico.
 
Não há de fato qualquer explicação lógica ou prova material para se confirmar este fato, mas a verdade é que durante o Caminho, se vivencia uma sensação de plenitude e bem estar constantes, que transcende a qualquer explicação racional ou científica imaginável. Sabe-se que, dentre outras coisas, esta sensação de permanente satisfação é decorrente do nível elevado de endorfina endógena liberada em nossa circulação, que faz com que o ato de pedalar seja sempre prazeroso, apesar de toda a dificuldade e sofrimento enfrentados.
 
Mas também me parece claro que não é somente isto. O Caminho de Santiago, com seus 800 anos de existência e por onde já passaram alguns milhões de peregrinos (70.000 só no ano passado), que vão de santos a pecadores, de heróis a bandidos, ou apenas de simples mortais, absorveu ao longo deste tempo, um pouco de toda esta energia libertada por cada um de nós, o que tornou a sua atmosfera tão especial.
 
Evidentemente que o facto de se estar afastado de todos os problemas de ordem pessoal ou profissional, pelo facto de se estar em contato próximo e directo com uma natureza bonita e diversificada, com uma cultura ao mesmo tempo estranha e atraente, e pelo fato de se andar grande parte do tempo de forma solitária, isso tudo faz com que cada um de nós canalize toda a sua energia disponível para um acto de introspecção individual e de auto-conhecimento, e passe a comungar com outros canais que extrapolam a nossa vontade ou consciência, o que funciona quase que como uma auto-análise existencial.
 
Situada abaixo da Via Láctea, Santiago de Compostela tem uma localização geográfica privilegiada, por ser um dos pontos de maior energia e vibração da Terra, e creio ser este, um dos fatores que a torna tão rica em mitos e lendas, de milagres e crenças. A Galicia, aonde ela se situa, foi terra da civilização Celta, uma das primeiras no mundo a dominar a arte da magia e do ocultismo e assim, não deve ter sido à toa que magos, bruxas e druidas da Idade Média elegeram esta região como o seu local preferido para habitar e desenvolver a sua arte.
 
É lógico que apenas estas justificativas não bastam, se cada peregrino não deixar o espírito aberto e estiver receptivo a compreender os sinais emitidos pelo Caminho. Porque somente assim, instintivamente vai se percebendo as coisas ao redor, e se “faz o Caminho” de verdade. De outro modo, só se pedala. Fazer o Caminho de Santiago implica então, estar envolvido por toda esta atmosfera de compromisso, de solidariedade, de resignação, de coragem, de determinação e de respeito ao próximo e à natureza, enfim, de se deixar envolver por sentimentos de fraternidade e de fé absoluta na evolução espiritual da própria humanidade, pois somente desta forma, se consegue despojar do individualismo e de sentimentos de egoísmo e intolerância.
 
Para finalizar, diria que fazer o Caminho de Santiago, é antes de tudo, um compromisso moral e espiritual de se lançar em uma busca interior e em uma possibilidade de crescimento pessoal, que pode propiciar uma melhoria na vida pessoal de cada um e em contrapartida, daqueles com quem compartilhamos as nossas vidas.
 
E para este fim, todo e qualquer sacrifício valerá a pena.
 
Texto de Dylvardo Costa Lima, 43 anos, médico, de Fortaleza-Ceará

Motivos da peregrinação em BTT

É nos momentos mais difíceis que temos que pôr à prova as nossas capacidades, e quando acreditamos que somos capazes, conseguimos aquilo que às vezes parecia impossível. As peregrinações acabam por ser isso mesmo, acreditarmos de que somos capazes e os desafios, dificuldades, sofrimento e as dúvidas que alguns dos peregrinos enfrentaram mas venceram, contribuíram para a sua auto-estima e com certeza que terá reflexos na sua própria vida pessoal e...quase sempre, basta querer e acreditar para se conseguir.
 
Isto é o que move um Português a fazer 18 horas de Comboio e logo em seguida começar a pedalar 800 kms durante bastantes dias? O que move pessoas de diversas nacionalidades a apanhar um avião para vir propositadamente a Espanha fazer esta viagem? O que leva vários empresários de sucesso, a pedalarem durante dias, quando podiam fazer a viagem em bons carros? O que fazem 60 pessoas deitadas no meio do chão a dormir profundamente nos albergues, cansados mas todos felizes? Porquê submeterem-se a temperaturas extremas, alternadas com chuva, a terem que se deitar no chão, para recuperar o fôlego e a encararem as escoriações das quedas como lembranças que gostavam que ficassem marcadas na pele para sempre? As perguntas são imensas e provavelmente nem os próprios que viveram todas estas aventuras conseguem responder!
 
Paulo Reis
April 18

Obrigado a todos pelas mensagens de apoio

Sérgio Pardal:
Caro amigo,
Os votos de uma excelente experiência e que consigas concretizar este enorme objectivo a que te propões.
 
Com um abraço apertado
 
Sérgio Pardal  (April 17 9:11 PM)
_____________________________________________________________ 
 
Nuno Virgilio:
 
Dá-lhe aí, alforreca podre!!!
Acho fabuloso esse desafio. Já estive em Santiago de Compostela, fui tb pelo caminho português (mais propriamente via autoroute até Vigo e carretera nacional até ao spot final... de bote: Opel Corsa 1.5TD
Tunning Azeiteiro).
Não ia numa de peregrinação nem nada parecido mas já que tava ali, fui visitar a catedral... e fikei muito desiludido: parecia uma feira, lá dentro. O ambiente era tudo menos o espírito de peregrinação no real sentido da palavra. Alta barulheira, toda a gente a posar pa foto, etc. Acho que perdeu mt da mística que procuras.
Há uns tempos li um livro do Paulo Coelho, o "Diário de um mago" se n m engano, retrata tb uma viagem de peregrinação nesse mm trajecto q vais fazer. Se bem me lembro a ideia final é de que o importante não
é o objectivo - a feira dentro da catedral -, mas sim o trajecto e as provações que vais ter de passar (sim , prepara-te pa sofrer eheheh...) e o que isso te vai ensinar sobre ti próprio.
Enfim, curte e vai dando news.
Nós por aqui temos uma promessa de ir até Fátima a voar. Qq dia lá vai ter q ser ;p
 
Nuno Virgilio (April 17 16:46 PM)
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Ricardo Nunes:
 
...grande aventura...
 
Boa sorte Paulo.
 
Ricardo "Nuñes" (April 17 16:51 PM)
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Osvaldo Esteves:
 
Oi Paulo,
Que espetacular ideia! Desejo que tudo te corra bem...  Um grande abraço

 
Osvaldo Esteves (April 17 16:13 PM)
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 Álvaro Segadães:
 
Grande Paulo! Força nas canetas! Que corra tudo bem!
 
Abraço,
 
Álvaro Segadães (April 17 16:23 PM)
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Andreia Lopes:
 
Olá,
Vamos torcer por ti!  Espero que tudo corra bem e que a meteo seja favorável. Não abuses dos quilómetros/dia e não te esqueças de levar um pequeno estojo de primeiros socorros. Tira muitas fotos,
Beijinhos,
Andreia e camaradas! (April 17 18:07 PM)
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Cota Afonso:
 
Muita força e determinação não te está faltando. Aprecio muito a tua coragem e seria uma das coisas que eu também gostaria de realizar,a minha máquina já não aguentaria tal esforço en tão pouco tempo.
Quero desejar-te muita sorte e que tudo se desenrole dentro do que são as tuas previssões. Vou ficar a torcer por ti, entusiamado e acompanhar o mais que poder a tua viagem, pois será um exemplo a seguir.
Um grande Abraço para a partida  e dar-te ei outro quando regressares.
 
Afonso (April 17 18:45 PM)
 
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Vôvo Ginja:
 
. . . sempre gostei de Ti Paulo e não sabia porquê!  . . . afinal as nossas sensibilidades, os caminhos que só nós percorremos, são tão parecidos!  . . . quantos Amigos serão assim e nós não sabemos!  . . . sempre andei por caminhos e sempre caminharei duma maneira ou doutra, mas sinto que nunca vou parar de caminhar!
 . . . e quando estiveres uma vez mais no destino Santiago de Compostela ainda vais ficar mais feliz desde a primeira vez; e quando desceres as escadinhas que te levam ao túmulo vais-te sentir com vontade de continuar a caminhar como se fosse a primeira vez!  . . . porque será?
 . . . Aceita Meu Abraço!
 
José Ginja (April 17 19:12 PM) 
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Zétó:
 
Viva!
Estive a dar uma ligeira vista de olhos sobre o blog. Vejo que estás a preparar-te a sério para essa viagem. Para além da preparação logística e da forma física, há uma componente muito importante que é a vertente psíquica e que assume um carácter determinante no sucesso de um empreendimento dessa natureza... Saberás isso melhor do que eu, provavelmente.
Depois, há o caminho, ou vários caminhos, ou reinventa-se um novo caminho com base nos que já existem e sempre existiram.
 Há o caminhante, o peregrino, o curioso, o turista, o religioso, o místico, o ... (...), a pessoa que se abre a novos desafios e experiências. No fundo, esses aspectos acabam por convergir e misturar-se no íntimo de cada caminhante. O que conta verdadeiramente não é partir nem chegar, é estar lá!...
Talvez sejam também esses aspectos que nos levam a querer voar! E a sonhar que voamos!
A propósito de sonho, aqui ficam estas citações:

"A vida é um sonho, mas sonhar não é viver"
Fonte: "Epigramas"
Autor: Huygens , Christiaan
 
 "A aproximação é sempre mais bela que a chegada"
Fonte: "Correspondência com Jacques Rivière"
Autor: Alain-Fournier , Henri
 
Por último, resta-me desejar-te que consigas fazer uma excelente aproximação e, porque a aproximação não pode durar sempre, que tenhas uma merecedora e reconfortante chegada a Santiago...
 
Abraço,
José Gonçalves (April 17 19:27 PM)
 
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Pedro Lacerda:
 
Fixe. Não te esqueças do Analcalm Gel e de roupinha interior lavada. Eu acho que tenho um afilhado da minha avó que não vejo à 20 anos mas gostava de rever a trabalhar no bar do SudExpress se o vires dá-lhe cumprimentos meus. Vou acompanhando.
 
Hasta,
 
Lazerda (April 17 21:00 PM)
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Alexandre Sousa Pinto:
 
Caro Paulo, grande tem sido a preparação e maior vai ser o caminho. Vou ficar de olho aberto e com muita vontade de poder fazer o caminho contigo.
Um grande abrço.
 
Alex (April 17 22:46 PM)
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Carlos Gaudêncio:
 
Boa viagem com saúde, sem dores musculares e tudo a correr bem, pouca chuva ( quase impossivel....)e muito boa disposição. Não conheço os detalhes da organização, mas isso com um grupo fixe era um espectáculo. Já reparei que o Alex, se tens avisado, era um forte candidato a participar!!!! Sei que mesmo com todas as dificuldades te vais divertir. Vou acompanhar as notícias. Boa viagem.
 
Carlos Gaudêncio (April 18 00:17 AM) 
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Graça Lourenço:
 
Faz boa viagem Amigo e que tudo te corra pelo melhor. Uma beijoca grande,
 
Graça (Ita) (April 18 02:08 AM)
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Anabela Oliveira:
 
Já agora, nos documentos, não te esqueças de levar o cartão da segurança social e o do seguro médico.
Pelo sim, pelo não, leva também o número de telefone para ligar para Portugal a cobrar no destino.
 
Anabela Oliveira (April 18 09:27 AM)
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Carlos Fonseca:
 

Ganda Paulo,

E vão duas vezes a Santiago!... É obra pá! E, se te sentires desfalecer, não te esqueças que estamos contigo. E, se precisares do que quer que seja, liga.

Um abraço e Boa viagem até Santiago.

 
Carlos Fonseca (April 18 10:50 AM)
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Konstantino,
 
...que a Força esteja contigo...e as dores não sejam muitas...por cá vamos acompanhando. :-)   no sofá....

Boa Sorte,
 
Aikenfly (April 18 12:44 PM)
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António Barreto,
 
Grande Paulo!  Um grande abraço. Fico a torcer por ti.
 
António Barreto (April 18 11:54 pm)
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Carlos Brazuka:
 
Força Paulo, vou ficar por aqui torçendo por vc. Um grandea braço.
 
Carlos Brazuka (April 19 01:34 AM)
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Francissco Nunes:
 

Grande Paulo. Quando menos se espera lá fazes das tuas. Que grande aventura que vai ser. Desejo-te tudo de melhor e que consigas alcançar o objectivo com sucesso. Cá ficarei a acompanhar no teu blog.
Vai com força e com fé.

Um grande abraço.

 
Francisco Nunes (April 19 21:00 PM)
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Paulo Branco:
 
Desde já os meus desejos de grande sucesso. (800Km?? Que é isso para um gajo potente, treinado e motivado como tu?? Nada. A nossa vida deve ser preenchida com sonhos que nos dão a verdadeira
liberdade. Um grande abraço. Esperamos a tua volta.
 
Paulo Branco (April 19 08:07 PM)
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Madalena Veloso:
 
Desejo-te boa viagem sem cambras, sem chuva, e com muitas experiências fabulásticas! Visitarei o blog de certeza.  Bj.
 
Madalena Veloso (April 21 10:35 AM)
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Magda Ferreira:
 
Que giro! Tenho a certeza que vai ser uma aventura inesquecível! Conta comigo para aceder ao teu blog e para te dar força quando se te faltar a força nas canetas. Boa sorte!!!
 
Magda Ferreira (April 21 10:36 AM)
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Eunice Galvão:
 
Good luck.
 
Eunice Galvão (April 21 11:02 AM)
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Maria do Monte Gomes:
 
Com blog ou sem ele, espero que te divirtas.  Boa viagem.
PS:  Quando regressares, havemos de arranjar um tempinho para conversar  um pouco.  
Maria do Monte Gomes (April 21 10:55 AM)
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Nadine Silva:
 
Desejo-te muita sorte e força nessas pernas.  Irei consultar o teu blog diariamente pare poder acompanhar-te nesta aventura. És um homem com muito coragem.
 
Nadine Silva (April 21 11:22 AM)
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Igor Koncar:
 
Amigo, sempre estou falando aos meus amigos aqui sobre tu e a sua aventura. VAI COM  PRAZER E FORCA E GANHA ESPERIENCIA MUITO BOA!!ESTOU CONTIGO. 
 
Igor Koncar (Belgrado) (April 21 10:30 AM)
April 17

Caminho de Santiago - Estatística de 2005

Números de Santiago em 2005:
 
93.924 peregrinos receberam a Compostela em 2005,
38.218 mulheres
55.706 homens.
10.413 tinham mais de 60 anos.
40.987 tinham entre 36 e 60.
32.666 entre 19 e 35 e os demais estavam com 18 ou menos.
Fizeram o Caminho a pé 76.674 peregrinos.
16.985 de bicicleta.
242 a cavalo e
23 de charrete.
Motivos para a peregrinação:
35.476 (37,75%) - religiosos
49.977 (53,21%) - religiosos / culturais
8.491 (9,04%) - culturais
52.881 (56,3%) peregrinos eram da Espanha e
41.043 (43,7%) vieram de outros países.
Estrangeiros:
Itália - 7.430
Alemanha - 7.155
França - 5.909
Portugal - 2.574
Estados Unidos - 2.047
Holanda - 1.610
Reino Unido - 1.512
Á ustria - 1.470
Canadá - 1.420
Bélgica - 1.283
Brasil - 1.163
Suiça - 726
Austrália, Estônia, Nova Zelandia e outros - demais
Foram registrados 105 países no total.
De onde começaram o Caminho:
Sarria - 14.851
SJPP - 9.851
Roncesvalles - 9.230
Cebreiro - 7.434
Leon - 6.677
Ponferrada - 5.985
Astorga - 4.303
Pamplona - 3.284
Burgos - 2.609
Tuy - 2.534
Os demais iniciaram em locais diversos, incluindo outros países.
Rotas usadas:
Caminho Francês - 79.396
Caminho Português - 5.508
Caminho do Norte - 3.984
Via de la Plata - 3.140
Caminho Primitivo - 1.028
Os outros usaram diversas outras rotas.
Profissões dos peregrinos:
Estudantes - 18.827
Executivos - 16.552
Técnicos - 11.593
Artistas - 11.153
Aposentados - 10.389
Professores - 7.886
Trabalhadores Civis - 5.029
Demais - diversos
Os números acima, representam apenas os peregrinos que receberam a Compostela.
O albergue de Roncesvalles, reporta que recebeu 38.560 peregrinos em 2005, enquanto que os que receberam a Compostela vindos de lá, foram apenas 9.230.
 

Paulo Reis

Occupation
Location
Interests
Sobre mim haverá a dizer o que diz quem me conhece e quem me quer conhecer fala comigo!